- Nicole Austin, moradora de Toronto, cultiva no telhado da cidade uma variedade antiga de quiabo branca, conectando África, Caribe, Canadá e o sul dos Estados Unidos.
- Ela trabalha no Urban Farm da Toronto Metropolitan University e lidera a Iniciativa de Soberania Alimentar Negra e o Harvest Collective para promover alimentação segura e cultivos culturalmente relevantes.
- A variedade de quiabo branca, conhecida como white velvet, já foi cultivada no sul dos EUA e hoje faz parte do Ark of Taste, representando resiliência e memória agrícola.
- As sementes vêm da Truelove Seeds, empresa americana, que mantém um conjunto de sementes da diáspora africana; a variedade chegou a Toronto após ser trazida de solo norte-americano.
- Preservar e compartilhar sementes é parte da missão de Austin, que vê no cultivo de quiabo uma forma de manter vínculos históricos e fortalecer a soberania alimentar da comunidade.
Okra de Toronto: uma herança afrolatina resiste pela agricultura comunitária
Nicole Austin cresceu em Oshawa e sentia falta de alimentos da Jamaica. Em busca de raízes, ela encontrou no cultivo de sementes uma forma de manter viva a herança alimentar da diáspora africana, conectando Canadá, Caribe, África e o sul dos EUA.
Ao perceber que agricultores negros e de minorias étnicas ajudam a manter histórias alimentares, Austin definiu a prática como parte da justiça alimentar. Hoje, ela cultiva uma variedade antiga de okra no topo de um telhado no centro de Toronto.
Na década passada, Austin ingressou no Urban Farm da TMU para desenvolver iniciativas de soberania alimentar negra, incluindo o Harvest Collective e o Learning Circle. O objetivo é promover autodeterminação, saúde comunitária e partilha de alimentos.
A origem da verve verde
A okra escolhida por Austin, conhecida como white velvet, tem raízes no sudeste dos EUA e na diáspora africana. A variedade é descrita como peluda, macia e sem espinhos, diferente das variedades verdes comuns.
Embora Canadá tenha clima mais frio, estudos locais indicam que a okra está entre as 13 hortaliças mais procuradas para comunidades étnicas da região de Toronto. Austin adquire sementes anualmente de Truelove Seeds, livraria de sementes com foco na diáspora africana.
Sobrevivência e memória
Especialistas veem as okras herdadas como sementes abertas, preservadas por décadas, muitas desde antes da Segunda Guerra Mundial. A white velvet já foi amplamente cultivada no Delta do Mississippi, mas caiu de uso comercial diante da competição com variedades verdes.
Duas figuras de referência destacam o valor histórico da planta: uma autora de livro sobre a okra e a Slow Food, que inclui a white velvet no Ark of Taste, catálogo vivo de alimentos ameaçados. O cultivo atual passa por pequenos produtores que mantêm a variedade em circulação.
Compartilhar sementes, manter a história
Para Austin, conservar sementes é praticar história viva. Ela defende que compartilhar sementes fortalece a soberania alimentar e rompe com modelos de monopólio de grandes empresas de sementes, considerados problemáticos para a diversidade genética.
A prática de plantar e compartilhar sementes também é vista como forma de reconectar comunidades com refeições e tradições da diáspora. As sementes de 2024 já estavam em uso no manejo de plantas que se adaptam ao clima de Toronto.
Impacto local e continuidade
A iniciativa na TMU envolve a comunidade negra de Toronto e arredores, promovendo cultivo de alimentos culturalmente relevantes. O objetivo é ampliar o acesso a comidas que preservem identidade e memória histórica, fortalecendo vínculos entre passado e present.
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