- O Dragão Fashion Brasil Festival, em Fortaleza, retornou à região da Praia de Iracema para celebrar a moda nordestina, em um contexto que marca quase trinta anos do evento.
- Lino Villaventura abriu a última sessão do festival montando passarela na Ponte dos Ingleses durante o final de tarde, apresentando uma coleção iluminada.
- O DFB manteve o foco na relação entre cidade, natureza e o humano do Ceará, ampliando o diálogo entre moda autoral e território.
- O festival manteve sua função de revelar talentos locais e gerar parcerias, incluindo a iniciativa Mãos da Moda, com oito criadores e mais de sessenta artesãos.
- A programação destacou projetos colaborativos entre designers e artesãos de diferentes estados, buscando renovar repertórios culturais sem perder a identidade nordestina.
No final de semana, o Dragão Fashion Brasil Festival (DFB) abriu o caminho para uma apresentação de Lino Villaventura na Ponte dos Ingleses, em Fortaleza. O desfile ocorreu no último dia do evento, com a passarela suspensa sobre o mar da Praia de Iracema. A iluminação acentuou o clima dramático da coleção.
O DFB, que chega perto de completar 30 edições, retornou às origens na região citada. Em 1999, o festival nasceu para mostrar o Ceará ao mundo, além do eixo Rio-São Paulo. A escolha de Iracema reforçou o vínculo entre moda, cidade e memória local.
O festival envolve designers de longa data e nomes emergentes, mantendo a proposta de valorizar a moda autoral brasileira. A produção tentou dialogar com a história do bairro, a arquitetura e a memória cultural fortalezense, além de abrir espaço para públicos gratuitos.
Retorno às origens e ao território
A depender do desfile, a estética nordestina ganha leitura contemporânea. Desfiles na rua dos Tabajaras e apresentações como a de Silvânia de Deus ressaltaram o peso da tradição sem abandonar a modernidade. Cláudio Silveira acompanhou a retomada de mãos que impulsionam o festival.
Nomes veteranos convivem com novas vozes que buscam sustentabilidade e identidade regional. O DFB mantém a presença de estilistas nordestinos como eixo central, privilegiando o artesanato local e parcerias com artesãos de diferentes estados.
Novos talentos e parcerias
Entre as novidades, a designer David Lee destacou-se pela fusão de bordados com couro, incorporando o trabalho de artesãos locais. Patú apresentou uma leitura sertaneja com técnicas manuais e referências a Ednardo, ampliando o leque de materiais naturais.
A Studio Orla e Gabriela Fiuza levaram soluções contemporâneas em uso de texturas e crochês de seda. A iniciativa Mãos da Moda, em parceria com Nordestesse e Riachuelo Lab, reuniu oito criadores para desenvolver coleções com artesãos durante seis meses.
O resultado apresentado nos dias finais variou de propostas genuinamente autorais a trabalhos com assinatura artesanal mais ornamental. A mistura de linguagem regional e experimentação gerou peças que não repetem o repertório tradicional, fortalecendo a leitura de renovação do festival.
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