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Comunidade do Morro Grande, em SP, luta há duas décadas por memória e natureza

Movimento de vizinhos cobra parque municipal Morro Grande há mais de vinte anos; prefeitura avança com projetos básicos, executivos e desapropriações

Placa foi instalada na área do futuro parque Morro Grande, na zona norte de São Paulo, em 2022
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  • Movimento comunitário da Brasilândia, Freguesia do Ó e Pirituba luta há mais de duas décadas para transformar a área de mais de seiscentos mil metros quadrados no Parque Municipal Morro Grande.
  • O espaço abriga vestígios de Mata Atlântica, nascentes e parte da memória operária da região, incluindo a antiga Pedreira Morro Grande, uma vila, cinema e a Capela Santa Clara de Assis.
  • A Prefeitura informou que as oficinas participativas definiram o projeto arquitetônico e que já estão em andamento os projetos básicos e executivos; a desapropriação da área ocorre via Declaração de Utilidade Pública.
  • O futuro parque terá mais de meio milhão de metros quadrados, ficará em área de Preservação Ambiental (Zona Especial de Preservação Ambiental) e contará com infraestrutura de esporte, lazer e convivência, com sete acessos, incluindo próximo à estação Pátio Morro Grande.
  • O processo de tombamento do local não avança desde 2025; a mobilização já ganhou reconhecimento internacional e envolve ações de educação ambiental e memória histórica.

No bairro Morro Grande, na zona norte de São Paulo, uma área superior a 600 mil m² permanece como um dos últimos grandes remanescentes verdes da região. A área envolve Mata Atlântica, nascentes e memória social da periferia, em meio a bairros densos e pouco conectados a equipamentos públicos.

O movimento de moradores ganha expressão ao longo de quase duas décadas. A proposta é transformar o espaço na primeira unidade de parque municipal da região, preservando história, natureza e qualidade de vida para a população local.

Desde a desativação da antiga Pedreira Morro Grande, o local passou por fases de abandono e risco de ocupação. Ao redor, surgiram uma vila operária, uma tecelagem, um cinema e a Capela Santa Clara de Assis, marcando a memória do território.

O que está em jogo

Em 2006, a mobilização ganhou coordenação para pressionar o poder público pela criação do parque. Em 2014, o projeto ganhou status de parque urbano em planejamento no Plano Diretor. Em 2022, o território recebeu demarcação via Projeto Demarca, apontando prioridade na cidade.

Segundo a defesa do parque, a área precisa conciliar proteção ambiental com memória social. A gestão municipal aponta avanços: oficinas participativas concluídas, elaboração de projetos básicos e executivos em curso, além de desapropriação em andamento.

Avanços e próximos passos

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente afirma que o parque terá mais de 500 mil m² e ficará em área de preservação ambiental. A estrutura prevista inclui equipamentos esportivos, áreas de lazer, anfiteatro, biblioteca, parquinité infantil e espaços de convivência.

A obra também prevê sete acessos, com ligação à futura estação Pátio Morro Grande, da linha 6-Laranja do metrô. Ainda não houve data definida para conclusão de desapropriações nem de entrega dos equipamentos.

Memória e patrimônio

O movimento busca tombamento de parte da área, incluindo capela, antigos edifícios, estruturas da pedreira e trechos da mancha verde. A análise técnica do processo está em curso, sem deliberação final até o momento.

Especialistas e moradores ressaltam que o patrimônio vai além das construções: envolve o remanescente de bioma, as nascentes e a história operária. A vigilância comunitária tenta proteger o espaço contra incêndios, invasões e descarte irregular de lixo.

Repercussão e participação

A iniciativa já recebeu atenção internacional, com o Morro Grande sendo objeto de estudo em um ateliê de arquitetura na Suíça em 2024. Em 2025, o território integrou a programação da Bienal de Arquitetura de São Paulo.

Projetos paralelos incluem o Ativa Juventude, com participação de estudantes de Meio Ambiente de escolas técnicas, voltados para educação urbana, patrimônio e participação cidadã. O entorno escolar reforça o papel educativo do futuro parque.

O que ainda falta

Para a implantação definitiva, permanece pendente a desapropriação total, a dimensão de recursos públicos e a aprovação final do tombamento. Moradores destacam que a decisão depende de vontade institucional para atender às necessidades da periferia.

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