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Haitianos mudam bairro no centro de São Paulo

Imigração haitiana transforma o Glicério em polo de comércio e acolhimento, com haitianos em dez lojas e a Casa do Migrante com 110 vagas

Movimentação de haitianos na Igreja Nossa Senhora da Paz, no bairro do Glicério: paróquia organizou um telão para o povo haitiano
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  • O bairro do Glicério, no centro de São Paulo, tornou-se um polo de imigrantes haitianos, com comércio e cultura que lembram Porto Príncipe; dos dezoito estabelecimentos, dez pertencem a haitianos.
  • A festa para acompanhar o jogo foi organizada pela própria comunidade na sede da Missão Paz, espaço que acolheu haitianos desde o terremoto de 2010; a Casa do Migrante, mantida pela instituição, tem 110 vagas, com 104 ocupadas na manhã de segunda-feira.
  • O perfil migratório mudou nos últimos anos: mulheres, crianças e idosos chegam em maior número, e, entre 2023 e 2024, o registro de residência de haitianas superou o de haitianos homens pela primeira vez.
  • As haitianas atuam principalmente em ocupações de baixa a média qualificação, como fabricação de alimentos (30,6%) e produção de bens e serviços industriais (65,6%), com o comércio sendo uma saída comum para renda.
  • Casos de sucesso incluem Abel Marthine, que abriu um salão de beleza em frente à Missão Paz após guardar cerca de R$ 5 mil; estimativas do NEPO/Unicamp indicam que cerca de 1.200 haitianos chegaram a São Paulo nos últimos anos.

O bairro do Glicério, no centro de São Paulo, ganhou uma cara distinta nos últimos anos por conta da imigração haitiana. Entre lojas, bazares e barracas de comida, a região passou a lembrar Porto Príncipe, com cores, cheiros e sons que refletem a presença de imigrantes. A transformação ficou evidente durante a goleada entre Brasil e Haiti, quando haitianos se reuniram na Missão Paz para assistir ao jogo.

A celebração do grupo foi marcada pela leitura coletiva da partida, ainda que o placar tenha trazido derrota para o time haitiano. Mesmo assim, o clima entre os presentes não assumiu ares de luto; muitos preferiram manter o espírito de comunidade. Comerciantes locais relatam que a movimentação ao redor das ruas permanece intensa, com angariamento de clientes que chegam para comprar comida típica, roupas e cosméticos.

Oásis para quem chega

A Missão Paz funciona como polo de acolhimento há anos, abrigando atividades para migrantes. O espaço abriga o salão principal com telão e espaço para eventos, além de ser porta de entrada para quem busca suporte. Hoje, a instituição mantém a Casa do Migrante, com 110 vagas para acolhimento temporário; na manhã de segunda-feira, 15, 104 estavam ocupadas.

Na prática, o local representa mais do que abrigo: é ponto de referência para brasileiros e haitianos que chegam buscando integridade social. A advogada Eliza Donda descreve o espaço como um ponto de apoio essencial para a proteção de imigrantes. Além disso, a comunidade usa o termo bo pé a para designar o espaço como um “bom pastor”.

Perfil dos imigrantes no centro

Observa-se mudança no perfil migratório: mulheres, crianças e idosos chegam em maior quantidade. Dados da ONU indicam que, em 2023 e 2024, o registro de residência de haitianas superou o de homens pela primeira vez. A integração envolve ocupações de baixa a média qualificação, como fabricação de alimentos e serviços industriais, com rendimentos comuns abaixo de dois salários mínimos.

O comércio local tem sido uma alternativa expressiva para o sustento. Familiares de haitianos relatam dificuldades, mas há relatos de sucesso, como o de uma cabeleireira que abriu um salão ao lado da Missão Paz. O movimento migratório já rendeu ao menos 1200 haitianos chegando a São Paulo, segundo estudo da UNICAMP.

Vozes e trajetórias

Entre os novos moradores, jovens, mães e profissionais buscam oportunidades. O agente de segurança Jean Rossiny, de 26 anos, cita mudanças ao migrar do exterior para o Brasil e reconhecer o país como lugar mais estável para recomeçar. Histórias como a dele destacam a busca por regularização e melhores perspectivas de vida.

A região do Glicério, com a presença de haitianos nas lojas da pequena Porto Príncipe paulistana, continua a mostrar que imigração molda o visual do centro. O que era uma área de comércio tradicional ganhou novos tons, sem perder a identidade da comunidade que a domina há anos.

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