- Entre janeiro e maio de 2026, 1.059 remoções de pacientes foram canceladas no Iges-DF por atraso de ambulância.
- O Iges-DF contratou a empresa UTI Vida em 2022, por R$ 37.745.565,96, com prorrogas que somam cerca de R$ 32 milhões.
- Casos anteriores de falhas envolvem atraso que contribuiu para a morte de bebê em 2024 na UPA Recanto das Emas; autoridades reconheceram demora acima do previsto no contrato.
- Dados mensais de 2026 mostram atrasos nas UPAs Recanto das Emas, Planaltina e em diagnósticos, com impactos na continuidade do cuidado e no tempo de permanência.
- Em Santa Maria, 18 pacientes perderam procedimentos por atraso; houve ainda casos de falha de equipamento, como cilindro de oxigênio ausente em transporte; TCDF suspendeu licitação de ambulâncias do Iges-DF em 17/06.
Atrasos de ambulâncias prejudicaram atendimento a mais de mil pacientes no DF entre janeiro e maio de 2026. Segundo o SEI, 1.059 remoções foram canceladas por atraso ou indisponibilidade de ambulância nas unidades do Iges-DF. A falha ocorreu em meio a contratos em vigor com a empresa contratada.
O Iges-DF contratou a Ubidade UTI Vida em 2022 para o serviço, ao custo inicial de cerca de R$ 37,75 milhões. O instituto prorrogou o contrato por meio de aditivos, com valores adicionais que somam aproximadamente R$ 32 milhões até o momento.
Ao longo dos anos, houve registro de falhas na prestação do serviço, com relatos de ambulâncias sucateadas e condutores sem condições adequadas. Em 2024, atraso de ambulância contribuiu para a morte de um bebê na UPA Recanto das Emas, enquanto aguardava transferência para a rede de alta complexidade.
Entre os meses de 2026, os atrasos persistem. Em janeiro foram 209 ocorrências, fevereiro 112, março 189, abril 184 e maio 365. O relatório aponta atrasos relevantes nas UPAs de Recanto das Emas e Planaltina, impactando diagnósticos e cancelamentos de atendimentos.
No HRSM, 18 pacientes tiveram procedimentos adiados por atraso no serviço de ambulância. Em casos na UPA Ceilândia II, o atraso atrasou o giro de leitos, comprometendo o andamento dos tratamentos. Em Vicente Pires, um paciente aguardou quatro dias para ir ao HBDF e teve retorno à UPA sem nova avaliação.
Situação do contrato e resultados
Em janeiro de 2026, a Coordenação de Penalidades e a DIASE do Iges-DF apontaram irregularidades no desempenho contratual, com impacto direto na assistência. Apesar disso, não houve suspensão do contrato, devido à natureza essencial dos serviços.
Em 2025, houve monitoramento de processos administrativos para apuração de penalidades referentes a março e abril. A avaliação indicou problemas na execução contratual, mas não houve suspensão imediata.
Licitação e controvérsias
O Tribunal de Contas do DF suspendeu, em 17 de junho, a contratação por licitação do serviço de transporte de pacientes por ambulâncias. A licitação previa dois lotes para atender as regiões Norte e Sul do DF, com 100 ambulâncias e orçamento inicial de cerca de R$ 101 milhões.
A UTI Vida foi desclassificada na licitação, mas participou do certame após apresentação de recursos, ficando em quarto lugar com proposta superior à da primeira colocada. A decisão ocorreu ainda durante a suspensão liminar. O processo segue sob apuração.
Contato com as partes envolvidas
O Metrópoles solicitou posicionamentos do Iges-DF e da UTI Vida, sem retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestações oficiais.
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