- A geriatra e escritora Ana Claudia Quintana Arantes afirma que o Brasil não está preparado para discutir morte assistida, citando falhas em diagnóstico precoce e na oferta de tratamentos eficazes.
- A viagem de uma brasileira com doença neurodegenerativa à Suíça, em abril, para realizar suicídio assistido reacende o debate no país, onde a prática não é permitida.
- Ela sustenta que não faz sentido destinar dinheiro público à morte assistida quando há carência de cuidados básicos de saúde para a maioria da população.
- A entrevista destaca que, segundo o Ministério da Saúde, o uso de cuidados paliativos deveria ocorrer desde o diagnóstico, e que, na prática, apenas cerca de 14% das pessoas que precisam têm acesso a essa abordagem, segundo a OMS.
- Quintana Arantes defende melhoria na comunicação entre equipes de medicina, formação ética e avaliação psiquiátrica, além de enfatizar que o acesso a uma morte digna não pode depender de riqueza ou carência de cuidados disponíveis.
A ida de uma brasileira com doença neurodegenerativa à Suíça, em abril, para realizar suicídio assistido reacendeu o debate no Brasil, onde a prática não é permitida. Entidades ligadas à autonomia no fim da vida defendem que pessoas conscientes, com sofrimento insuportável por doenças terminais ou incuráveis, possam escolher uma morte digna.
Para a médica geriatra e escritora Ana Claudia Quintana Arantes, o país não está pronto para discutir morte assistida enquanto falha em diagnósticos precoces e na oferta de tratamentos eficazes. Ela afirma que a agenda de saúde pública precisa priorizar cuidados que já não chegam a todos.
A pesquisadora argumenta que muitos pacientes já chegam a tratamentos avançados de câncer, o que torna a opção pela morte assistida injusta. Em seus livros, a autora defende reflexão sobre os limites da intervenção médica e o papel dos recursos públicos.
Contexto e críticas à prática
Ana Claudia destaca que destinar recursos para morte assistida pode significar tirar investimentos de assistência básica. Ela questiona a necessidade de critérios rigorosos em outros países, como a exigência de avaliação psiquiátrica, ao defender que quem está em sofrimento extremo merece cuidado adequado.
A médica explica ainda que a prática pode não se enquadrar nos princípios dos cuidados paliativos, que buscam não apressar nem prolongar artificialmente a vida. Ela aponta que mudar essa visão exige mudanças na formação médica e na cultura sobre fim de vida.
Cuidados paliativos e acesso à saúde
A entrevistada reforça que os cuidados paliativos devem acompanhar qualquer diagnóstico grave, mesmo quando há intenção curativa. Dados da OMS indicam que apenas cerca de 14% das pessoas que precisam têm acesso a essa abordagem.
Ela critica a percepção de que a prática seria apenas para quem tem dinheiro, lembrando que muitos pacientes não dispõem de diagnóstico precoce ou de alívio adequado da dor, especialmente no SUS.
A conversa também aborda a comunicação em medicina, ética e a necessidade de respeitar a vontade do paciente, inclusive quando ele expressa desejo de interromper tratamentos, desde que haja documentação adequada.
Perspectivas sobre desejos finais
A entrevistada aponta que muitos desejos de pacientes envolvem relacionamentos, encontros familiares e planejamento de cuidados para quem fica. Em geral, as equipes de cuidados paliativos trabalham para viabilizar casamentos, batizados ou despedidas significativas mesmo em condições de hospitalização.
O material de referência cita ainda que o tema já circula no Brasil e no exterior, com a defesa de que a autonomia no fim da vida requer avaliação cuidadosa de impactos na ética médica, na prática clínica e nos sistemas de saúde.
A reportagem destaca que o debate envolve aspectos legais, éticos e de acesso, sem indicar conclusão sobre o tema. O conteúdo foi produzido com base em entrevista publicada e em fontes ligadas ao Brain Congress.
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