- Misael de Souza, 23 anos, foi preso por um latrocínio em Jequitinhonha, Minas Gerais, em janeiro de dois mil e vinte e dois, e permaneceu sete meses preso antes de ser sentenciado a vinte e quatro anos de prisão em um processo baseado na versão de um dos criminosos.
- Ele afirma que tinha álibi — estava com a esposa e a irmã dela no momento do crime — e que o caso começou a piorar após a prisão, quando o investigado passou a apontá-lo como cúmplice.
- Durante o período na cadeia, conviveu com doze detentos; a separação da esposa, que estava grávida de sete meses, e o afastamento do nascimento da filha, Lívia, marcaram profundamente sua vida.
- O acusado escreveu que houve coerção de um cúmplice verdadeiro, o que levou o Ministério Público a rever o caso; a defesa entrou com pedido de revisão criminal e a história chegou à segunda instância.
- Em dezoito de maio, dez desembargadores o absolveram; Misael pretende pleitear indenização por danos, dizendo que a prisão injusta roubou parte de sua vida, mas não seus sonhos.
Um jovem de 23 anos viveu uma sequência de acusações equivocadas que o levou a cumprir quatro anos de prisão por um crime que não cometeu. O caso começou em janeiro de 2022, em Jequitinhonha, Minas Gerais, área rural de cerca de 400 moradores. Ele estava a caminho do trabalho quando foi abordado pela polícia.
Na delegacia, Misael Souza foi colocado no mesmo grupo de outras quatro pessoas, sob suspeita do latrocínio que vitimou uma idosa na região. O jovem alegou ter álibi: estava acompanhado pela esposa e pela irmã dela no momento do crime. Mesmo assim, recebeu ordem de prisão.
Sete meses depois, foi condenado a 24 anos de prisão com base apenas no depoimento de uma testemunha. Ele descreve o choque, a distância da esposa grávida de sete meses e o impacto na vida da família, incluindo a criação da filha Lívia.
Absolvição após revisão
A prisão passou a ter desdobramentos quando circulou a informação de que o autor da acusação alegou coerção para forjar a denúncia. O advogado de Misael pediu revisão criminal, que levou o caso a instância superior. Dez desembargadores, na segunda instância, absolvê-lo no dia 13 de maio.
A libertação permitiu ao jovem retornar ao convívio familiar, ainda que o trauma persista. Ele planeja abrir uma ação para buscar ressarcimento pelos prejuízos causados pela prisão injusta. A história evidencia falhas no sistema e danos irreparáveis à vida pessoal.
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