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Muçulmanas no Brasil sofrem islamofobia online e nas ruas

Relatório aponta islamofobia contra muçulmanas no Brasil; 80% das vítimas sofrem ataques, com maior impacto na internet e em espaços públicos

São Paulo - Refugiados sírios recebem atendimento médico no Hospital da Universidade Santo Amaro. Tradutores da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil ajudaram na comunicação (Rovena Roso/Agência Brasil)
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  • Oito em cada dez mulheres muçulmanas no Brasil sofrem ataques motivados por islamofobia, segundo a 3ª edição do Relatório de Islamofobia do Brasil.
  • A pesquisa analisou relatos de 328 mulheres, divididas em brasileiras de tradição islâmica, brasileiras que se reverteram, estrangeiras muçulmanas e estrangeiras revertidas, e aponta que 84,5% das vítimas são brasileiras revertidas.
  • Entre as alunas, 96,7% das brasileiras revertidas afirmam discriminação no país; as ocorrências aparecem no maior frequente em ruas (36,4%), internet (30,9%) e trabalho (19,7%).
  • Apenas 6% das brasileiras revertidas registram boletim de ocorrência, taxa inferior à das brasileiras nascidas (8,7%).
  • No ambiente virtual, o Instagram concentra 74,5% dos casos (120 registros), seguido por Facebook/WhatsApp (34,2%), TikTok (16,8%) e X (7,5%).

O Brasil registra altos índices de islamofobia entre mulheres muçulmanas, segundo a 3ª edição do Relatório de Islamofobia do Brasil. A pesquisa, realizada pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias) da USP, analisou 328 relatos de mulheres muçulmanas, de vertentes sunita e xiita.

Entre as entrevistadas, a maioria é brasileira revertida ao islamismo. O estudo aponta que 84,5% desse grupo sofreu ataques por motivos religiosos, índice que cai para 80,4% entre brasileiras que descendem de famílias muçulmanas e varia entre 60% e 75% entre estrangeiras revertidas e estrangeiras muçulmanas, conforme o recorte demográfico.

A pesquisa revela que a violência se manifesta nas ruas, na internet e no ambiente de trabalho. Aproximadamente 36,4% das vítimas brasileiras relatam ataques nas ruas, 30,9% disseram sofrer agressões online e 19,7% enfrentaram discriminação no trabalho. Os pesquisadores destacam que a islamofobia ocorre com maior intensidade em espaços de maior exposição pública.

Dados adicionais indicam que quase todas as brasileiras revertidas relatam discriminação generalizada. Relatos de danos psicológicos, como depressão e ansiedade, foram comuns, com casos de mudanças de carreira e demissões atribuídas a preconceitos ligados à religião e vestimenta.

As vítimas costumam ser associadas ao terrorismo, o que reforça o desprezo social. Em relatos de ofensas no ambiente de trabalho, houve desde insultos até demissão, citando percepções negativas sobre a religião durante interações profissionais.

As organizadoras destacam ainda que a imprensa é apontada como pouco informativa sobre o islamismo, e que a compreensão sobre o véu e a diversidade de opiniões entre muçulmanas é insuficiente. A coordenadora Francirosy Campos Barbosa ressalta esse viés na cobertura midiática.

Pouco menos de 6% das brasileiras revertidas registram boletim de ocorrência, taxa inferior à das brasileiras nascidas, de 8,7%. Pesquisadores sugerem desconfiança na apuração policial e dificuldade de decorer as denúncias.

No Brasil, não há censo específico sobre a comunidade islâmica, dificultando estimativas de tamanho da população. O recorte demográfico não separa muçulmanos de demais religiões com menor número de adeptos.

Ambiente virtual

O estudo aponta que o Instagram concentra a maioria dos casos, com 120 ocorrências (74,5%). O Facebook e o WhatsApp aparecem juntos em 55 casos (34,2%), seguidos por TikTok (16,8%) e X (7,5%).

Segundo os autores, o Instagram favorece a marginalização pela exposição da aparência e prática religiosa, enquanto o Facebook facilita a formação de comunidades que promovem polarização. O TikTok facilita a disseminação rápida de vídeos entre diferentes públicos.

A plataforma do Instagram afirma buscar prevenir violência relacionada a conteúdos na plataforma. A Meta informou que remove conteúdos que violem suas diretrizes e incentiva denúncias. O TikTok não respondeu; o X não teve contato informado pela agência.

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