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Obra revela cemitério ligado ao maior porto da escravidão no Brasil

Descoberta de ossadas sob casa no Rio revela o Cemitério dos Pretos Novos, impulso à memória da escravidão e criação do IPN e do Centro Cultural Pretos Novos

Em 1996, ao fazer uma reforma em casa, Merced Guimarães dos Anjos descobriu ossadas no chão
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  • Merced Guimarães dos Anjos descobriu ossadas em 1996, ao reformar a casa no bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, revelando que havia um cemitério de escravizados sob a propriedade.
  • O local é o Cemitério dos Pretos Novos, ativo entre 1770 e 1830, onde cerca de quarenta mil pessoas teriam sido enterradas; o Rio foi o principal destino de escravizados no Brasil.
  • Em 2011, havia reaparecido o valor histórico com as obras do Porto Maravilha; em 2017, a Unesco reconheceu o Cais do Valongo como Patrimônio Mundial.
  • Em 2005, a família e ativistas fundaram o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN); a garagem virou memorial e o quintal abriga café, loja e biblioteca.
  • O IPN abriu o Centro Cultural Pretos Novos e recebe visitas educativas; há interesse do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social em apoiar a expansão, ligada ao Distrito Cultural Pequena África.

Merced Guimarães dos Anjos abriu as paredes do quintal da casa em 8 de janeiro de 1996, no Rio de Janeiro. Durante a reforma para erguer um segundo andar, ossos foram encontrados sob o piso. A descoberta revelou um sítio arqueológico.

Os ossos surgiram quando um pedreiro percebeu restos próximos aos buracos das colunas. Ao verificar, Merced encontrou arcadas dentárias humanas, inclusive de uma criança. A cena mudou o destino da casa e da região portuária.

Descoberta histórica

O achado remete ao Cemitério dos Pretos Novos, usado entre 1770 e 1830, onde estima-se que cerca de 40 mil pessoas escravizadas foram enterradas. O local fica sob casas no bairro da Gamboa.

Após a constatação, Merced conectou-se a moradores e históricos da região. Um vizinho mostrou um mapa que apontava o cemitério próximo aos mercados de escravizados. O episódio abriu uma memória esquecida.

Do achado à atuação institucional

Em 2011, a remoção de parte da região para obras no Valongo reacende a memória da escravidão no local. O cemitério foi reconhecido, e o conjunto urbano passou a ganhar visibilidade pública.

Em 2005, Merced e o marido criaram o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN). A garagem ganhou espaço de memória, com exposição permanente e serviços educativos.

Cultura, memória e futuro

O IPN hoje funciona com um Centro Cultural Pretos Novos, inaugurado há 21 anos. O espaço promove exposições, oficinas, saraus e visitas educativas na região portuária.

O IPN recebe cerca de 300 mil visitantes anuais, somando atividades abertas ao público. O objetivo é estudar o tráfico atlântico, a escravização e a diáspora africana no Brasil.

Parcerias e investimentos

Merced planeja ampliar o centro cultural, com obras no segundo andar, área maior e programação permanente. O BNDES demonstra interesse em apoiar o projeto via iniciativas culturais.

As tratativas ocorrem no contexto do Distrito Cultural Pequena África, que visa requalificar a área ao redor do Valongo, integrando memória e desenvolvimento local. A parceria está em fase conceitual.

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