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Segurança psicológica no trabalho reduz risco de adoecimento mental

Riscos psicossociais passam a integrar normas de segurança; NR-1 exige avaliação e medidas preventivas para reduzir adoecimentos

Saúde mental no trabalho – Ilustração: Banco de Imagens/PGT-MPT
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  • A saúde mental dos trabalhadores já custa cerca de US$ 5 trilhões por ano à economia global, e a estimativa é de que esse valor possa triplicar até 2030.
  • No Brasil, mais de 500 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais em 2025, segundo dados do INSS, com fatores ligados ao ambiente de trabalho e à vida moderna.
  • Riscos psicossociais passaram a integrar as diretrizes da segurança no trabalho, com a NR-1 atualizada em maio para identificar e reduzir situações como assédio, cobranças excessivas e jornadas exaustivas.
  • A insegurança no emprego aumenta o adoecimento mental, levando profissionais a permanecer conectados ao trabalho fora do horário e dificultando o descanso.
  • A autonomia no trabalho é apontada como proteção essencial: controle sobre tarefas, pausas e decisões pode reduzir o estresse e melhorar o bem-estar e a produtividade.

A saúde mental no ambiente de trabalho tornou-se um desafio estratégico para empresas e gestores. Um estudo feito pela Sodexo, em parceria com a Social Impact Partners e a Global Brain Health Initiative, estima que problemas mentais geram cerca de US$ 5 trilhões de perdas anuais na economia global, com potencial de triplicar até 2030. No Brasil, mais de 500 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais em 2025, segundo o INSS. As causas incluem metas abusivas, alta demanda cognitiva e a pressão da vida moderna.

Especialistas destacam que o ambiente de trabalho não afeta apenas o corpo, mas também a mente, com impactos além do estresse. A soma de jornadas exaustivas, uso intenso de telas e invasão do trabalho na vida doméstica contribui para a vulnerabilidade da saúde mental entre os trabalhadores.

Riscos psicossociais passam a integrar as normas que estabelecem diretrizes da segurança no trabalho

A mudança nas normas de segurança indica que as empresas devem considerar riscos psicossociais em seus programas de gerenciamento de riscos. Assédio moral, cobrança excessiva, jornadas longas, falta de autonomia e conflitos interpessoais são exemplos a serem identificados e mitigados. A adoção visa reduzir impactos à saúde mental e promover ambientes mais saudáveis.

Historicamente vinculada a acidentes físicos, a segurança do trabalho agora abrange o bem-estar psicológico. A adoção de políticas que protejam a saúde mental passa a ser vista como fator estratégico para a sustentabilidade das organizações, além de responsabilidade social.

Insegurança no emprego e suas consequências

A insegurança na manutenção do emprego é apontada como elemento que eleva o adoecimento mental. Segundo Myriam Maziero, o medo de perder a renda faz com que muitos profissionais permaneçam conectados ao trabalho fora do expediente, elevando o estresse. No Brasil, esse risco psicossocial tem peso relevante, diferente de algumas avaliações europeias.

O comportamento de permanecer conectado fora do horário está ligado à ansiedade e à dificuldade de descanso. Maziero ressalta que esse fator é particularmente relevante no contexto brasileiro, influenciando a forma como os trabalhadores vivenciam a pressão no dia a dia.

NR-1 atualizada e o alcance dos riscos psicossociais

Em maio deste ano, a Norma Regulamentadora nº 1 passou por atualização para incluir a identificação e a mitigação de riscos psicossociais. Empresas devem mapear situações que afetam a saúde mental e aplicar medidas preventivas para reduzir esses riscos. A norma reforça a responsabilidade das organizações em promover ambientes de trabalho mais saudáveis.

A autonomia no trabalho surge como proteção essencial. A capacidade de organizar tarefas, estabelecer pausas e participar de decisões relacionadas à execução das atividades ajuda a reduzir o estresse. Trabalhadores com maior controle tendem a reportar menor sintaxe de problemas e maior senso de pertencimento.

Promover a saúde mental no trabalho deixa de ser apenas uma pauta de bem-estar. Trata-se de uma estratégia para manter a produtividade com responsabilidade, fortalecer relações e assegurar condições de trabalho compatíveis com a dignidade humana.

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