- A gestão do prefeito Ricardo Nunes adiou de novo a abertura do Parque dos Búfalos, que fica na zona sul de São Paulo, para o segundo semestre, após atrasos e questionamentos sobre as obras.
- O parque tem trezentos mil metros quadrados de área verde às margens da represa Billings e integra o conjunto de oito áreas de proteção ambiental, com parte da vegetação da Mata Atlântica prevista para compor o conjunto de quinhentos e quarenta mil metros quadrados.
- Duas ocupações irregulares permanecem na área prevista para inauguração e há obras ainda incompletas, incluindo três praças de convivência não entregues, calçadas, trilhas e iluminação em andamento.
- O valor do contrato inicial com a empresa responsável foi de vinte milhões de reais, mas as obras começaram em novembro de dois mil e vinte e três e já apresentaram ajustes de cronograma para reforço de estruturas.
- Comunidades locais, como a favela da Fumaça, seguem ocupando parte da área, com membros do conselho gestor apontando riscos de grilagem e danos ambientais, enquanto a prefeitura afirma que há ações de regularização habitacional em curso.
O governo de São Paulo, sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes, adiou novamente a entrega do Parque dos Búfalos, na Zona Sul, Jardim Apurá. A área verde de 300 mil m², às margens da represa Billings, ainda registra obras incompletas e ocupações irregulares, segundo apuração da Folha.
O parque faz parte de um conjunto de oito áreas de proteção que devem compor um total de 540 mil m² de Mata Atlântica junto à Billings, principal fonte de abastecimento de 1,4 milhão de pessoas na região metropolitana. O local fica em área Zepam, protegida por lei de zoneamento.
A maior porção do parque, de 300 mil m², tinha previsão de abertura para dezembro do ano passado. Foi remarcada para 27 de junho e, após questionamentos, a prefeitura informou que a entrega ocorrerá apenas no segundo semestre.
Duas ocupações irregulares permanecem dentro da área a ser inaugurada. A favela da Fumaça abriga cerca de 520 famílias, com parte do esgoto despejado no córrego que deságua na Billings. Moradores foram reassentados no condomínio Espanha, com 193 prédios e 3.860 moradias.
Ao lado de uma das entradas, o território conhecido como Residencial Lotus também está invadido. Loteamentos clandestinos anunciam os lotes a preços de cerca de 35 mil reais, com parcelas de até 120 vezes, e cerca de 30 famílias já moram no local.
A prefeitura afirma que, desde 2024, a Secretaria Executiva do Programa Mananciais vem trabalhando para liberar a área e atender às famílias, viabilizando a implantação do parque. Segundo a nota, parte dos gradis foi furtada e o parque conta com vigilância diária de 20 agentes.
Ainda de acordo com a Folha, dois seguranças terceirizados disseram que há apenas uma motocicleta para cobrir todo o território de 300 mil m². A reportagem constatou, no dia 11, que boa parte das intervenções permanece sem conclusão quase dois anos após o início das obras.
As obras iniciaram em novembro de 2023, previstas para durar 10 meses, com custo de cerca de 16 milhões de reais. Três das quatro praças de convivência não ficaram prontas, assim como o calçamento de cinco quilômetros das trilhas, apenas parcialmente concluído.
O prédio administrativo, chamado Esplanada, já foi erguido, onde devem ser oferecidas oficinas de educação ambiental. O projeto original previa áreas de lazer, bancos, banheiros, iluminação e um estacionamento, que não foram concluídos na totalidade.
O Parque dos Búfalos teve início no governo anterior, com a desapropriação de parte da área para a construção do condomínio Espanha, ligado ao Minha Casa Minha Vida. Um acordo ambiental com a prefeitura resultou na cessão de parte do terreno para o parque, após decisão da Justiça.
Morador engajado no projeto, Jordão Maciel, 77, lidera um viveiro comunitário e relata o plantio de milhares de mudas nativas. Ele afirma que o parque enfrenta repetidos atrasos, mas mantém atividades de reflorestamento na região.
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