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A história das sacadas no Brasil e seu impacto na fachada das cidades

Da privacidade das urupemas à ostentação dos gradis de ferro, sacadas passaram a simbolizar modernização urbana e status social na era colonial

Prévia à chegada da Coroa portuguesa ao Brasil, no século XVI, as fachadas de residências brasileiras não tinham a mesma 'cara' que conhecemos
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  • Antes da chegada da Corte portuguesa, as fachadas usuais usavam treliças e urupemas para manter privacidade, ventilação e luz natural, especialmente nas residências das elites.
  • A partir de 1769, reformas no Rio de Janeiro visaram aproximar a cidade dos padrões iluministas europeus, incluindo a proibição de urupemas para aumentar a transparência urbana.
  • Com a chegada da família real em 1808, o processo de modernização se intensificou e, em 1809, houve decreto para remover gelosias e muxarabis, substituindo-os por balcões e gradis de ferro.
  • O ferro tornou-se símbolo de modernidade industrial no século XIX, substituindo a madeira e marcando o status social dos sobrados mais ricos com portas‑janelas e gradis ornamentados.
  • Hoje, as sacadas de ferro são marcadores históricos de visibilidade, prestige e transformação urbana, mantendo vivo o debate sobre a relação entre moradia, cidade e poder.

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, as sacadas de ferro passaram a marcar as fachadas brasileiras, substituindo treliças de madeira. Em Ouro Preto e Olinda, destacam-se gradis que se tornaram símbolos de elegância e prestígio urbano.

Antes da chegada da Corte portuguesa, as janelas eram protegidas por urupemas, estruturas de madeira que permitiam ver sem ser visto. A função era controlar a privacidade, ventilação e luz, em um contexto de rígidez entre espaço público e privado.

As gelosias, de lâminas inclinadas, também permitiam circulação de ar e entrada de luz com privacidade. Muxarabis, com desenhos geométricos vazados, vinham da tradição islâmica e chegaram ao Brasil por meio dos portugueses.

A transição para o ferro e o que mudou

O uso do ferro ganhou força no século XIX como símbolo de modernidade industrial. Inicialmente importado da Europa, ele passou a demonstrar refinamento técnico e prosperidade econômica. As sacadas passaram a expressar visibilidade social.

A transformação ganhou impulso com a chegada da família real em 1808. Em 1809 houve decreto que determina a retirada de gelosias e muxarabis, com prazo para substituição por balcões e gradis de ferro inspirados na arquitetura europeia.

Os gradis não foram apenas decorativos. Eles melhoraram ventilação e iluminação interna, ao mesmo tempo em que criaram um espaço entre casa e rua. Para moradores de classes altas, representaram status e proximidade com padrões europeus.

Hoje, sacadas com balaústre são comuns em cidades históricas, mantendo a função de referência da arquitetura colonial. Por trás dos desenhos em ferro, guardam uma história de vigilância, modernização urbana e mudanças de habitar no Brasil.

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