- Capela dos Aflitos, construída em 1779 no antigo Cemitério dos Aflitos, reabriu após dois anos de restauração no bairro da Liberdade, centro de São Paulo.
- A missa inculturada teve presença de baianas, congadeiros e devoções a Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora dos Aflitos e São Benedito, fortalecendo a memória negra e indígena do local.
- A cerimônia contou com procissão de entrada, estandartes e andores, incluindo a imagem de Francisco José das Chagas (Chaguinhas); padres, ministros e integrantes da Pastoral Afro acompanharam.
- O restauro recuperou a estrutura, estabilizou rachaduras e reteve o telhado; o altar-mor e retábulos ainda passam por obras, e a Unamca planeja retomar missas e visitas guiadas.
- Durante escavações ao lado, foi instalado o Memorial dos Aflitos; ossadas de negros e indígenas foram encontrados, e a reabertura marca avanço na preservação da memória e da história do território.
A Capela dos Aflitos, marco da história negra do centro de São Paulo, reabriu neste sábado após dois anos de restauração. O templo, erguido no antigo Cemitério dos Aflitos, fica na Liberdade e voltou a receber fiéis com celebração litúrgica inculturada. A cerimônia destacou a memória de povos escravizados, indígenas e pobres.
A missa contou com a participação de baianas, congadeiros, bandeiras de Nossa Senhora dos Aflitos, de Aparecida e de São Benedito, além de músicos e um ministério que dialogou com a ancestralidade negra e indígena. Houve procissão de entrada com estandartes e andores, seguida pela imagem de Francisco José das Chagas, o Chaguinhas.
A capela, construída em 1779, está entre os templos mais antigos da cidade e permanece cercada por edifícios. Ela integra um território histórico ligado ao antigo Cemitério dos Aflitos, onde eram sepultadas pessoas escravizadas, indígenas, pobres e condenadas à morte.
Preservação
O restauro recuperou a estrutura comprometida pelo tempo e por obras vizinhas. Rachaduras foram estabilizadas e o telhado recebeu intervenções, devolvendo a integridade à edificação. A restauração foi conduzida pela comunidade e pela gestão pública local.
Segundo Lucas Almeida, presidente da Unamca, a capela está arquitetonicamente restaurada e entregue à sociedade civil. A partir da segunda quinzena de julho, as missas, visitas guiadas e ações de educação patrimonial devem retomar o calendário integral.
A obra ainda não está concluída: o altar-mor, retábulos e parte dos bens integrados permanecem em restauração. Quando finalizados, deverão retornar ao templo imagens históricas relevantes para o conjunto litúrgico.
Memória
A reabertura reforça a importância museológica do local, que passa a integrar também o Memorial dos Aflitos em implantação no terreno ao lado. Escavações arqueológicas encontraram ossadas de negros e indígenas, com vestígios de rituais que comprovam a presença de práticas religiosas diversas no espaço.
Luizão Cruz, educador social e responsável pela Unamca, ressaltou que a narrativa histórica precisa ser corrigida, destacando que o local abrigava pessoas de destaque na região, não apenas marginalizadas. A restauração amplia o acesso à memória de comunidades negras e indígenas da cidade.
O evento reuniu também lideranças e movimentos culturais, incluindo a Congada de São Benedito e representantes indígenas, reforçando que a Liberdade já foi território de diversas tradições antes da imigração japonesa, condição que se mantém como parte do passado e do presente da região.
O secretário municipal de Cultura e Economia Criativa, Totó Parente, enfatizou que a entrega simboliza reparação histórica e reforçou a continuidade do trabalho de preservação e valorização do patrimônio afro-indígena da cidade.
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