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Brasil exportou maconha no passado: o comércio esquecido

Brasil integrou o comércio internacional de cannabis, com exportação e importação regulamentadas antes da proibição, conforme apurado por pesquisadores

Pé de maconha; de acordo com especialistas, a maconha está presente no Brasil desde o período colonial
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  • O Brasil já participou do comércio de maconha, com registro de exportação em 1906 no estado de Alagoas, somando 40 mil réis, em meio a um cenário em que o país importava grande parte do produto.
  • A importação abastecia o mercado consumidor brasileiro, especialmente em farmácias, com muitos rótulos indicando produção francesa; os “cigarros índios” da Grimault & Co eram destaque entre os medicamentos à base de maconha.
  • Historicamente, a maconha tinha usos medicinal, industriais e recreativos no país; a fibra era importante para a indústria têxtil, enquanto o cânhamo era usado para cordas e velas nas navegações.
  • Experimentos de incentivo ao cultivo foram realizados, incluindo plantações movidas por obras oficiais, mas não se tornaram atividade comercial estável, influenciados pela viabilidade econômica de outras culturas e pelo estigma associado à planta.
  • A repressão começou com leis municipais no século XIX e se intensificou com o decreto de 11 de janeiro de 1932, que categorizou a cannabis como substância tóxica entorpecente, em contexto de racismo institucional e higienismo social.

A maconha e seus derivados já tiveram cultivo, comercialização e consumo liberados no Brasil. Pesquisas apontam participação do país no comércio internacional da planta, com registros de exportação no início do século XX e forte papel da importação para abastecer o mercado interno.

Estudos identificam um relatório do Ministério da Fazenda de 1906 que registra a exportação de cannabis produzida em Alagoas. O valor era pequeno diante de outros itens, mas comprova a atuação brasileira no comércio da erva. A importação, por sua vez, abastecia farmácias com remédios à base de cannabis.

Esforços governamentais do período visavam estimular o cultivo, com apoio a sementes e iniciativas de incentivo. No entanto, o Brasil era principalmente consumidor e importador, e os registros de exportação não se repetiram ao longo do tempo.

A presença da cannabis no Brasil também tinha relação com uso medicinal, industrial e recreativo. Especialistas ressaltam a importância histórica da planta para a indústria têxtil, com o cânhamo sendo explorado para cordas e velas para a marinha.

Para pesquisadores, o cenário colonial envolve a cannabis como fibra e como planta de uso social entre afrodescendentes. Em oposição, o cultivo em larga escala e a exportação sofreram limitações econômicas e riscos políticos, com debates que antecederam a criminalização.

Entre as primeiras tentativas de promoção do cultivo, destacam-se projetos de cultivo de cânhamo em Santa Catarina e feitorias no sul do Brasil. Esses empreendimentos perderam espaço frente aos avanços do algodão, tornando a produção de cannabis economicamente inviável.

A partir do início do século XX, a lógica regulatória passou a restringir o uso da planta. A partir de 1932, o governo federal classificou a cannabis como substância entorpecente, abrindo caminho para políticas de proibição que perduram no tempo.

Especialistas destacam ainda o papel do racismo estrutural na construção das políticas de drogas. Dentro desse contexto, relatos históricos apontam repressões associadas a comunidades afrodescendentes e a celebração de outras substâncias em determinadas áreas do país.

Subtítulos

Passado comercial da cannabis no Brasil

Apesar da presença histórica, o país não consolidou um comércio estável de cannabis no longo prazo. Regulamentações, custos e o stigma contribuíram para a recessão de atividades de cultivo e exportação.

Legislação e mudanças no século XX

A virada do século trouxe legislação mais rígida. Medidas municipais, estaduais e federais se encadeiam para restringir cultivo, venda e consumo, em especial após o decreto de 1932 que classificou a cannabis como substância controlada.

Panorama histórico de uso e indústria

Entre os usos medicinal, industrial e recreativo, a planta teve papel relevante em momentos distintos. A narrativa histórica aponta a dependência de importações francesas para medicamentos e a função da fibra na indústria têxtil.

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