- Centros de tratamento de dependência no Reino Unido relatam mais pessoas buscando ajuda para o uso descontrolado de telefones; um terço dos clientes tratados por drogas teve dependência secundária de celular no ano passado.
- Estudo da Deloitte aponta que setenta por cento dos entrevistados passam tempo excessivo no celular, com verificação do aparelho ocorrendo cerca de cento e dezesseis vezes no dia e mais de três horas de uso.
- Grupos de apoio surgiram ao redor do ITAA (Dependentes de Internet e Tecnologia Anônimos), inspirados em Alcoólicos Anônimos, com programa de doze passos e relatos de recuperação.
- Centro de reabilitação Steps Together, em Rainford Hall, Inglaterra, atende pessoas com vários vícios e tem observado aumento de casos de dependência de telefone, oferecendo terapia para reduzir progressivamente o tempo de tela.
- Caso de Marios, personal trainer em Londres, que chegou a ficar até quatorze horas por dia no celular e hoje faz um curso de doze sessões de terapia para vencer a compulsão, conectando-se menos ao dispositivo e buscando melhorar a qualidade de vida.
Em meio ao aumento de casos de dependência de tecnologia, centros de tratamento relatam que mais pessoas buscam ajuda para o uso descontrolado de smartphones. A demanda tem chegado a clínicas no Reino Unido, com relatos de pacientes que chegam a dedicar longas horas do dia ao celular.
Profissionais de saúde destacam que a dependência digital pode surgir como problema secundário a outros vícios ou questões emocionais. O tratamento costuma combinar terapia individual e em grupo, com duração média de semanas a meses, e busca reduzir o tempo de tela gradualmente.
O caso de Marios, um personal trainer em Londres, ilustra esse cenário. Ele participa de um curso de 12 sessões em um centro de reabilitação no norte da Inglaterra para tratar a dependência de telefone, associada à solidão. O objetivo é recuperar controle sobre o uso diário.
Onde e como os pacientes recebem ajuda
O centro Rainford Hall, em St Helens, recebe pacientes com diferentes tipos de vícios, incluindo dependência de dispositivos. Profissionais explicam que há aumento no atendimento de casos vinculados ao uso de telas, especialmente entre adultos.
Dados de pesquisas recentes apontam que a maioria dos adultos tende a passar tempo excessivo no celular. Uma pesquisa da Deloitte mostra que 70% dos entrevistados consideram que o tempo gasto no dispositivo é elevado. Outras estatísticas indicam que a dependência de tecnologia vem crescendo nos serviços de saúde.
O papel de programas de apoio
Grupos como o ITAA, inspirado nos Alcoólicos Anônimos, oferecem suporte gratuito a quem enfrenta a dependência digital. Membros relatam que a adesão a um programa de 12 passos ajudou alguns a manter a abstinência de conteúdos, reduzindo a intensidade do uso de dispositivos.
Especialistas destacam que a terapia de grupo pode ajudar na reconexão social e no manejo de gatilhos, como a ansiedade causada pela espera de mensagens. Além disso, a prática de atividades fora da tela é incentivada como forma de reequilibrar a vida.
O que motivou a procura por tratamento
Analistas apontam que o impulso para usar o celular pode estar ligado à necessidade de fugir de situações desconfortáveis ou de solidão. A dopamina, liberada por notificações e curtidas, pode tornar o consumo contínuo de conteúdo viciante para algumas pessoas.
Alguns pacientes relatam que a recuperação envolve mudanças simples, como reduzir gradualmente o tempo de tela, entender os gatilhos emocionais e buscar atividades substitutas. Em muitos casos, a decisão de buscar ajuda surge após sentir impactos no trabalho, nos relacionamentos ou na saúde mental.
Contexto global e perspectivas
Profissionais lembram que a dependência digital não é oficialmente classificada como doença de saúde pública em muitos locais, mas já é reconhecida como um desafio crescente. Em diversos países, centros de tratamento veem números maiores de pacientes que relatam uso excessivo de dispositivos.
Especialistas ressaltam que o tratamento não se restringe ao Brasil ou à Inglaterra. Países ao redor do mundo desenvolvem abordagens para apoiar pessoas que desejam reduzir o tempo de tela, enfatizando terapias de grupo, manejo de gatilhos e atividades substitutivas.
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