- Hombeline Guyon, terceira geração, assumiu o Domaine Antonin Guyon em Savigny-lès-Beaune e trabalha ao lado do pai Dominique e do tio Michel.
- Ela foi decisiva, junto com Aubert de Villaine, para que os climats da Borgonha fossem inscritos como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2015, gerindo a comunicação e o engajamento local.
- A família possui quarenta e oito hectares de vinhedos em vinte e cinco appellations na Côte d’Or, uma extensão incomum para um domaine familiar na região.
- Hombeline ingressou no domaine em dois mil e quatorze, após experiências internacionais na indústria do vinho, mantendo uma relação aberta de aprendizado com o pai e o mestre de adega.
- A produção passou a adotar estilo mais leve na vinificação: menos extração, menos uso de carvalho novo e menos fórmula, com foco em precisão e sensibilidade ao terroir.
Hombeline Guyon, bacharela italiana da Borgonha, é a aposta de uma casa familiar que cresce sob o signo da tradição. Ela conduz Domaine Antonin Guyon, em Savigny-lès-Beaune, ao lado do pai Dominique e do tio Michel, na transição de geração.
A fusão de legado e inovação marca a carreira da enóloga. Em parceria com Aubert de Villaine, do Domaine de la Romanée-Conti, ajudou a inscrever os climats da Borgonha como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2015, com foco em comunicação e engajamento local.
A família Guyon administra 48 hectares de vinhas distribuídas em 25 appellations na Côte d’Or, o que é incomum para uma propriedade familiar na região. O avô Antonin iniciou o domínio na década de 1960, reunindo vinhedos numa única encosta de Hautes-Côtes de Nuits.
Dom Dominique, que chegou aos anos 1970, consolidou o plantio adquirindo 350 parcelas de 80 proprietários distintos, unificando em 22 hectares de vinhedos voltados para o sul. A história da família mostra uma aposta contínua no crescimento regional.
Hombeline cresceu acompanhando o pai desde a infância, com participação gradual na gestão e nos vinhos. Ela explorou o mercado global antes de retornar à Borgonha em 2014, assumindo uma visão mais aberta a partir da soma de experiências.
Hoje, junto do pai e do mestre de adega aposentado, Vincent Nicot, a enóloga trabalha para uma vinificação menos agressiva. A ideia é reduzir a extração, usar menos carvalho novo e apostar em um estilo mais preciso e menos formulaico.
Segundo Hombeline, a equipe passou a degustar com mais frequência e em conjunto, fortalecendo a parceria entre as lideranças. O resultado é um perfil que privilegia a finesse e a terroir, sem perder identidade.
Ela destaca que, mesmo sendo mulher em um setor tradicional, o foco está no reconhecimento de talentos individuais e na construção de um ambiente seguro. A maternidade é parte de sua história, sem, no entanto, ofuscar a função profissional.
A história da Domaine Antonin Guyon revela uma síntese entre herança familiar, ciência do vinho e desejo de inovação. Hombeline vê na função uma oportunidade de expressão criativa, responsabilidade e contribuição para a Borgonha.
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