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Professora cria Ara Ketu e denuncia injustiças na periferia

Professora Vera Lacerda criou o Ara Ketu para enfrentar desigualdades na periferia de Salvador, oferecendo cursos que já transformaram mais de três mil jovens

Mesa “Mulheres e Blocos Afro”, que integra a programação da Casa da Igualdade Racial durante o Festival Latinidades, realizado no Museu Nacional.
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  • Vera Lacerda, professora e historiadora baiana de 79 anos, criou o bloco Ara Ketu em março de 1980, em Periperi, Salvador, para enfrentar as desigualdades da região.
  • O nome homenageia a cidade de Ketu, no Benim, uma das áreas de origem de muitas pessoas escravizadas no Brasil, e o grupo ganhou notoriedade nacional e internacional.

•Mais de três mil jovens já realizaram cursos profissionalizantes ligados ao Ara Ketu, que também investe em áreas musicais e de formação.

  • Vera foi batizada com o título de comendadora pela Academia Brasileira de Letras pelo trabalho social associado à música.
  • No Didá, bloco exclusivamente feminino de Salvador, Débora Souza, presidente desde 2009, conduz mais de cinco mil mulheres, enfatizando empoderamento e liberdade para todas as participantes.

A professora baiana Vera Lacerda, 79 anos, relembra em detalhes as motivações que levou à criação do bloco Ara Ketu, em março de 1980, no bairro de Periperi, em Salvador. A iniciativa nasceu da busca por transformação social por meio da música e do carnaval.

Ao lado do primo Augusto César, falecido em 2016, Vera percebeu que o melhor caminho era usar a arte para reduzir a marginalização na periferia ferroviária. O Ara Ketu tornou-se referência nacional e ganhou projeção internacional.

O nome do bloco presta homenagem à cidade de Ketu, no Benim, destacando raízes africanas. Vera enfatiza que a proposta era tirar jovens do tráfico e da criminalidade por meio de cursos profissionalizantes na área musical e afins.

Didá e a liderança feminina

A ação de Vera inspira o Didá, bloco exclusivo para mulheres no Pelourinho. Débora Souza, 48 anos, preside desde 2009 a agremiação que já recebeu mais de cinco mil integrantes ao longo dos anos.

Débora ressalta que o Didá utiliza o tambor para expressar alegria, sentimentos e pautas de igualdade, com a ideia central de assegurar liberdade para todas as mulheres. A liderança do Didá é vista como empoderadora.

Vozes da periferia e transformação

No mesmo festival, Denise Oliveira, cantora e radialista da Rádio Nacional, destacou a relação entre arte e identidade. Denise cresceu na região administrativa de São Sebastião, no DF, e atua como produtora cultural.

Ela cita a transformação proporcionada por Ara Ketu e Didá, que ampliam perspectivas de vida na periferia. Denise também criou o projeto Vozes da Diversidade, indicado ao prêmio WME Billboard 2024, reconhecendo histórias de empoderamento feminino.

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