- Alaafin de Oyó, Ọba Abimbola Akeem Owoade I, visitou Salvador, fortalecendo laços entre Nigéria e Brasil e a relação entre Xangô e o reino de Oyó.
- Na tradição iorubá, Xangô era Alaafín de Oyó e, após a morte, tornou-se orixá associado à justiça, trovão, fogo e equilíbrio; o rei é herdado dessa linhagem.
- A comitiva contou com lideranças religiosas, pesquisadores e reis de Igboho, Iganna e Oro, visitando espaços como Mafro, Memorial das Baianas, Pedra de Xangô e terreiros.
- Na UFBA, houve lançamento de livro sobre a história de Oyó; a viagem também destacou ensino da língua yorùbá e participação de crianças nos cultos.
- Paula Gomes, embaixadora cultural do Palácio de Oyó, ressaltou o reconhecimento da preservação da tradição iorubá no Brasil e a cooperação entre Brasil e Nigéria.
O Alaafin de Oyó, Ọba Abimbola Akeem Owoade I, visitou Salvador, na Bahia, reunindo lideranças religiosas, pesquisadores e comunidades de matriz africana. A passagem reacendeu a ligação entre a Nigéria e o Brasil e ajudou a entender Xangô como personagem histórico e divindade cultuada nas religiões afro-brasileiras. Para muitos brasileiros, Oyó evoca Xangô, o orixá do trovão e da justiça.
Na tradição iorubá, Xangô não nasceu como orixá, mas foi um Alaafin de Oyó, rei poderoso conhecido pela estratégia e pela busca da justiça. Após a morte, foi divinizado e tornou-se uma das principais divindades da religião. Assim, o Rei de Oyó remete à linhagem do reino onde Xangô governou.
A visita teve a liderança da embaixadora cultural Paula Gomes e contou com participação de Diego de Ogum, sacerdote, Renata Barcellos, sacerdotisa de iemanjá, além de integrantes do Conselho Real de Oyó e monarcas de Igboho, Iganna e Oro. A agenda incluiu o Mafro, o Memorial das Baianas, o Muncab, a Uneb, terreiros e a Pedra de Xangô.
A comitiva participou de compromissos acadêmicos na UFBA, com a rainha representando o Alaafin no lançamento de um livro sobre a história de Oyó. Em Salvador, houve destaque para a visita ao monumento dedicado a Xangô, visto como sinal de reconhecimento da preservação da herança cultural brasileira.
A Bahia foi escolhida por ser um polo de preservação da cultura iorubá fora da África, mantendo práticas religiosas, linguagem litúrgica e rituais da diaspora. Para líderes religiosos, a presença do Alaafin simboliza o reencontro entre a terra de origem e a comunidade afro-brasileira.
A agenda foi intensa, com mais de 12 horas diárias de atividades, levando ao cancelamento de algumas visitas. Apesar disso, o Alaafin expressou orgulho pela preservação das tradições iorubás no Brasil e incentivou a participação de crianças nos cultos, além de defender o ensino da língua yorùbá às novas gerações.
Ao final, as autoridades destacaram que o encontro fortalece cooperação entre Brasil e Nigéria e reforça a importância do trono de Oyó para os devotos de Orisá. O conjunto das atividades enfatizou o papel da diáspora na continuidade da cultura iorubá.
Entre na conversa da comunidade