- Texto publicado em 26 nos portais Terra e Estado de Minas tratava de fibras em excesso, assinado por “Jonasmoura” com uso de inteligência artificial, incluindo entrevistas simuladas com especialistas fictícios.
- A agência Giro 10, que vende pacotes de conteúdo com IA desde setembro de 2025, admitiu erro humano na checagem de seis conteúdos entre cerca de seis mil e seiscentos materiais produzidos.
- O Terra tirou o texto do ar, encerrou o contrato com o Giro 10 e anunciou medidas de supervisão adicionais; o Estado de Minas afirmou que a IA é ferramenta de apoio, com curadoria humana.
- A Fenaj pediu regulamentação da IA no jornalismo; o Terra publicou retratação reconhecendo falhas e que houve gravidade no fato.
- O episódio evidencia riscos do uso de IA na credibilidade jornalística, ainda com a explicação de que houve coautoria anunciada, ressaltando a importância de checagem humana e diretrizes de uso responsável.
O texto Fibras em excesso: especialistas alertam para efeitos colaterais de tendência das redes sociais gerou controvérsia ao ser publicado no dia 26 em pelo menos dois veículos, Terra e Estado de Minas. Assinado por Jonas Moura com uso de IA, trazia entrevistas simuladas com profissionais fictícios sobre a suposta tendência fibermaxxing.
A peça, de quase 10 mil caracteres, descrevia uma suposta pesquisa e contava com um elenco de especialistas imaginários, incluindo nutricionista clínico e gastroenterologistas fictícios. A finalidade era ilustrar riscos da IA mal aplicada no jornalismo.
A reação veio rapidamente nas redes e entre entidades de jornalistas. A Fenaj solicitou regulamentação do uso de IA na imprensa. Em resposta, o Terra publicou uma retratação e assumiu responsabilidade pelos erros, anunciando medidas de supervisão mais rigorosas.
Retratação e medidas
O Terra informou que retirou o texto do ar e encerrou o contrato com o Giro 10, vigente desde outubro de 2025. A gerente sênior de conteúdo do portal destacou que a decisão foi tomada diante da gravidade do ocorrido e da falta de rigor jornalístico.
Segundo o editor Carlos Vieira, responsável pelo Giro 10, a equipe atuava desde setembro de 2025 com pacotes de conteúdo gerados por IA, com checagem humana. Foram produzidos cerca de 6.600 materiais, dos quais seis apresentaram erros, conforme ele.
Vieira reconheceu a responsabilidade pessoal pelo erro: o editor humano que acompanhava as checagens foi ele mesmo. Afirmou ainda que o contrato para o Giro 10 rendia entre R$ 2.000 e R$ 3.000 por produção, e que o projeto visava ampliar a atuação além do futebol.
Continuidade editorial
O Terra informou que retirou o conteúdo do Giro 10 e encerrou o contrato, mantendo ativos conteúdos do Jogada 10, ligado a esportes, com justificativas distintas. O Estado de Minas, por sua vez, afirma que a IA continua a ser usada apenas como ferramenta de apoio, com decisão final sob responsabilidade das equipes editoriais.
A matéria sobre fibras permaneceu disponível no Estado de Minas ao menos até a noite de sábado, sem indicação de que tenha sido retirada. O veículo reforçou que a curadoria e a validação continuam sob supervisão humana.
Esta situação evidencia os riscos do uso indiscriminado de IA no jornalismo. A discussão envolve credibilidade, checagem e responsabilidade editorial, com impactos na relação entre usuários, redes e veículos de comunicação.
No debate sobre transparência, veículos têm precedentes de sinalizar coautoria com IA, quando aplicável. Contudo, a clara indicação de responsabilidade editorial continua essencial para a percepção de confiabilidade junto ao público.
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