- Vídeos de tortura animal, incluindo esmagamento de filhotes, são divulgados nas redes e vendidos para grupos europeus relacionados ao chamado “animal crush”; Daiana Schuinsekel de Almeida foi presa em São Paulo, em maio, após denúncia de ONG búlgara.
- Dados do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo mostram que, no primeiro trimestre, houve mais ocorrências de vídeos de tortura do que em todo o ano de 2025, com mais de mil animais resgatados.
- No Rio Grande do Norte, a Polícia Civil e o Ministério Público prenderam, em junho, uma mulher de 44 anos suspeita de maus-tratos, gravação e venda online de conteúdo com violência contra animais.
- O Brasil tornou-se fornecedor de conteúdo para redes internacionais; investigações lideradas pelos EUA indicaram redes de encomenda e compartilhamento de vídeos de tortura de macacos, com prisões também no Brasil.
- A organização internacional Social Media Animal Cruelty Coalition monitora esse material e pressiona por regras mais rígidas; em 2021 identificou conteúdos com mais de 5,3 bilhões de visualizações.
O vídeo de violência extrema, veiculado nas redes sociais, envolveu a empresária paulistana Daiana Schuinsekel de Almeida. Com imagens de esmagamento de filhotes e, em série, de coelhos, gatos e pintinhos, ele foi usado para venda a grupos fechados europeus ligados ao chamado animal crush. Daiana foi presa em São Paulo em maio, após denúncia de uma ONG da Bulgária.
A investigação aponta que as imagens eram gravadas sob encomenda, vendidas e compartilhadas em canais restritos. O Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, aponta que, no 1º trimestre deste ano, ocorrências envolvendo vídeos de tortura animal superaram todo o ano de 2025. Mais de 1 mil animais já foram resgatados.
Embora com sede em São Paulo, o Noad monitora casos em todo o país. No Rio Grande do Norte, foram identificados vídeos de abate de aves com torções de pescoço e pisoteamento. Em junho, a Polícia Civil local e o Ministério Público prenderam uma mulher de 44 anos suspeita de maus-tratos, gravação e venda do conteúdo na internet.
O Brasil figura entre os países onde esse tipo de conteúdo é comercializado. Em nota histórica, o FBI e o Departamento de Segurança Interna dos EUA investigaram, há três anos, uma rede internacional de encomenda e compartilhamento de vídeos de tortura de macacos da Indonésia, com prisões em vários países, incluindo o Brasil.
A criação da Social Media Animal Cruelty Coalition (SMACC) ampliou a cooperação internacional para monitorar e denunciar conteúdos violentos. Em 2021, a coalizão identificou conteúdos que, somados, alcançaram mais de 5,3 bilhões de visualizações. A ação inclui pressão por regras mais rígidas nas plataformas.
No Brasil, a crueldade contra animais é crime com pena de dois a cinco anos de prisão. Especialistas ressaltam que esse tipo de prática pode indicar riscos maiores de violência. Dados de pesquisadores apontam relação entre maus-tratos a animais e agressões a pessoas, destacando a importância de identificação precoce.
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