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Pacientes psiquiátricos eram mantidos na Cadeia Pública de São Paulo imperial

Antes do Hospital de Alienados, inaugurado em 1852, pacientes com transtornos eram mantidos na Cadeia Pública de São Paulo, às vezes acorrentados

Prédio que reunia Paço Municipal, Fórum e Cadeia Pública de São Paulo; antes da inauguração do Hospital de Alienados, em 1852, pessoas com transtornos mentais eram encarceradas em condições degradantes
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  • Até 14 de maio de 1852 não havia hospital para transtornos psíquicos em São Paulo; pacientes eram mantidos na Cadeia Pública ao lado de outros presos.
  • Relatos da Comissão de Visitas (1829–1841) apontam casos de pessoas com transtornos entre os detentos, incluindo um homem isolation na prisão inferior em maio de 1831.
  • Em 1833 houve caso extremo de mulher encaminhada pela mãe, acorrentada ao pescoço e sem condições de deitar.
  • Em 1834, ainda havia pacientes psiquiátricos na enxovia grande, como José Joaquim da Silva Pereira e Manuel Bixiga, sem local próprio de custódia.
  • O Hospital de Alienados foi inaugurado em 1852, iniciando uma etapa de mudança; o local inicial recebeu nove pacientes e, ao longo do tempo, enfrentou superlotação e deslocamentos.
  • Em 1898, foi criado o Hospital Psiquiátrico do Juquery, nos arredores de São Paulo, que se tornou símbolo de práticas da época, com adoção de colônias agrícolas e métodos estruturais de tratamento.

Na São Paulo imperial, pacientes psiquiátricos eram mantidos na Cadeia Pública. Documentos inéditos mostram casos de homens e mulheres presos por anos sem crime cometido. Uma mulher chegou a ficar acorrentada pelo pescoço, até a inauguração do primeiro hospital próprio, em 1852.

Relatos da Comissão de Visitas da Câmara Municipal, que inspecionava o cárcere entre 1829 e 1841, apontam a presença de pessoas com transtornos mentais entre os presos. Em maio de 1831, um homem estava sozinho na prisão inferior, logo ao descer da escada.

Em 1833 houve caso chocante: uma mulher, encaminhada pela mãe, estava presa a uma corrente que a impedir de deitar. Os inspetores questionaram se manter a pessoa nesse estado agravaria o furor. Em 1834, novos relatos mostraram pacientes entre 84 detentos na enxovia grande.

Documentos da historiadora Flávia Maíra de Araújo Gonçalves indicam que, em 1849, o chefe de polícia pediu providências para que Maria da Conceição fosse encaminhada à Santa Casa de Misericórdia e não permanecesse na cadeia. Também houve intervenção para João Baptista de Campos, preso há seis anos sem crime, além de Manoel Reys, preso sem delito.

Da cadeia ao hospital: mudança de rumo na saúde mental

A Cadeia Pública funcionava como uma “casa de passagem” no início do século 19, abrigando pessoas de perfis variados, já que as penas variavam entre açoite, morte e degredo. A privação de liberdade ainda não era uma pena definida, o que justificava a permanência de indivíduos com transtornos mentais no cárcere.

Com a inauguração do Hospital de Alienados, em 1852, as condições começaram a mudar. O edifício, então instalado na rua São João, recebeu inicialmente nove pacientes. A partir de 1862, o hospital migrou para a região da Várzea do Carmo, às margens do Tamanduateí, buscando atender de forma mais especializada.

O período também marcou o início de um movimento mais estruturado na psiquiatria paulista, que culminaria na criação de instituições como o Juquery, inaugurado em 1898, nos arredores de São Paulo, e associado a práticas da época, incluindo métodos como o confinamento.

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