- Levantamento do ACNUR Brasil aponta que sessenta e cinco por cento dos empreendedores em situação de refúgio atuam na gastronomia, com maioria mulheres e mães solo; há também uma iniciativa chamada Refugiados Empreendedores para apoiar esses profissionais.
- A Gastronomia aparece como principal caminho para reconstrução; artesanato (12%) e moda (6%) aparecem em segundo e terceiro lugares no ranking de atividades empreendedoras.
- A reportagem acompanha três imigrantes que transformaram a comida em trabalho, identidade e recomeço: Aboud, Gema Soto e Mohammad, todos em São Paulo.
- O ACNUR revela que há 19 nacionalidades diferentes entre os refugiados acompanhados e que a maioria dessas pessoas busca integração por meio da gastronomia.
- Mohammad sonha em transformar o Restaurante Afeganistão em um centro cultural com biblioteca, exposições, música e dança, para apresentar o país além das imagens associadas à guerra.
O levantamento do ACNUR Brasil, obtido pelo Paladar, mostra que 55% dos refugiados que viram empreendedores no país atuam na gastronomia. A pesquisa acompanha três imigrantes que transformaram a comida em trabalho e identidade no Brasil.
Aboud, Gema e Mohammad são exemplos de que a cozinha pode ser caminho de recomeço. O ACNUR aponta que a maioria dos empreendedores refugiados são mulheres, muitas mães solo, e que há 19 nacionalidades representadas no programa Refugiados Empreendedores.
A pesquisa revela ainda que, além do setor, artesanato aparece com 12% e moda com 6% das escolhas empreendedoras entre refugiados no Brasil. O objetivo é apoiar vínculos, capacitação e educação financeira para quem busca se estabelecer.
Aboud chegou à Síria em 2014 e, após o deslocamento, encontrou no Shawarma uma via de construção de vida em São Paulo. Hoje o negócio emprega dezenas de pessoas e funciona no Centro, mantendo a ideia de compartilhar um pedaço da Síria com o público brasileiro.
Gema Soto deixou a Venezuela em meio à crise econômica e criou o Chevere Restaurante. A chef combina sabores venezuelanos com ingredientes brasileiros, buscando gerar memória afetiva e acolhimento. O espaço funciona como negócio familiar.
Mohammad, professor de matemática, chegou ao Brasil em 2022 com visto humanitário e abriu o Restaurante Afeganistão. Além de oferecer pratos típicos, ele planeja transformar o espaço em centro cultural com biblioteca, exposições e apresentações.
Os relatos destacam que a gastronomia facilita a integração, aproximando clientes locais de histórias de origem. Em comum, Aboud, Gema e Mohammad afirmam que cozinhar também funciona como forma de aprendizado de língua, cultura e mercado.
A iniciativa Refugiados Empreendedores atua com acolhimento, capacitação e suporte financeiro, acompanhando desde a ideia até a execução de negócios. O programa já teve participação de refugiados de diversas origens, fortalecendo vínculos comunitários.
As histórias ressaltam que o Brasil, por meio de políticas de integração, abre espaço para que imigrantes transformem o talento em oportunidades. A reportagem traz ainda que as cozinhas são ambientes de identidade, memória e reconstrução de vida.
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