- Novo estudo confirma que as turfeiras do Congo ocupam cerca de 167.600 km² no Congo e na DRC, área similar à de Inglaterra e País de Gales juntos e 15% maior que estimativas anteriores.
- As turfeiras guardam cerca de 29 bilhões de toneladas métricas de carbono, tornando o Congo Basin uma das áreas mais ricas em carbono do planeta.
- O governo da DRC iniciou leilão de 30 blocos de exploração, incluindo partes das turfeiras, com lances marcados para 28 e 29 de julho.
- Cientistas e organizações ambientais alertam que exploração de petróleo pode destruir ecossistemas, liberar carbono e afetar comunidades, com sobreposição de blocos em áreas protegidas.
- Há propostas de proteção que valorizam comunidades locais e a criação de parques, mas organizações como Greenpeace criticam o leilão e pedem suspensão.
A pesquisa publicada na revista Nature revela que as zonas de turfa do Congo, conhecidas como Cuvette Centrale, são ainda mais extensas do que se pensava. O estudo atualizou mapas e confirmou a imensa reserva de carbono escondida nessas áreas, situadas entre a República do Congo e a República Democrática do Congo (DRC).
Segundo os cientistas, as peatlands ocupam cerca de 167.600 km², superando em 15% estimativas anteriores. A área equivale ao tamanho de Inglaterra e País de Gales juntos, ampliando o entendimento sobre a importância climática dessa região da segunda maior floresta tropical do mundo.
A equipe, coordenada por Bart Crezee da University of Leeds, realizou mapeamento por satélite e campo em várias expedições. O trabalho reforça que o Congo Basin abriga um dos maiores reservatórios de carbono do planeta, com potencial de manter o carbono longe da atmosfera.
As características da formação de turfa na região variam entre os dois países. No Congo, o acúmulo resulta de lagoas associadas a margens altas de rios; no DRC, a acumulação ocorre em vales mais estreitos, com rios transbordando e favorecendo a formação ao longo de milênios.
Estimativas de carbono foram atualizadas. A nova avaliação aponta aproximadamente 29 bilhões de toneladas, próximo do valor anterior de 30 bilhões, com maior precisão graças ao aumento das medições de espessura da turfa, que chega a até 6 metros em algumas áreas.
A pesquisa destaca que o Cuvette Centrale é uma das áreas mais densas em carbono do mundo, com concentração quase duplicando a encontrada no peat bog da Amazônia peruana. Em conjunto, os dois Congos respondem por mais de um quarto de todo o carbono armazenado nas turfeiras tropicais.
Risco de exploração de óleo
O leilão de direitos de exploração de petróleo, previsto para começar em 28 de julho, preocupa especialistas. A DR Congo detém a maior parte das turfeiras do Congo e planeja ampliar seu leque de blocos de exploração, incluindo áreas da Cuvette Centrale.
CongoPeat, grupo de pesquisadores, estima que três blocos de óleo contêm cerca de 10.000 km² de turfa, com carbono estimado em 1,67 bilhão de toneladas. Perguntas sobre a viabilidade econômica da extração e impactos ambientais acendem o debate entre ciência, conservação e governo.
Organizações ambientais destacam que a exploração pode romper a integridade dos ecossistemas, causar emissões adicionais de carbono e comprometer comunidades locais. Greenpeace aponta riscos a áreas protegidas que se sobrepõem a parte dos blocos ofertados.
O governo pretende usar a riqueza de recursos naturais para reduzir a pobreza, ao passo que análises indicam grande vulnerabilidade econômica no país. A participação de grandes empresas e o custo de recuperação ambiental também alimentam o debate sobre a viabilidade futura da exploração.
Medidas de proteção e caminhos
Apenas uma fração da região está protegida hoje, dificultando a proteção efetiva diante do leilão iminente. Especialistas sugerem ampliar áreas protegidas e, sobretudo, reconhecer direitos de uso de terras para comunidades locais, que dependem desse ecossistema para subsistência.
Outra linha defendida é fortalecer a governança ambiental e realizar avaliações independentes sobre sobreposições entre títulos minerais, áreas protegidas e turfeiras. A credibilidade de acordos internacionais de climate pode depender dessas análises.
O estudo reforça a necessidade de entender os impactos a longo prazo de qualquer exploração na turfa Amazônica africana. A comunidade científica tem reiterado a urgência de conservar o carbono estocado para não comprometer metas climáticas globais.
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