- Rússia anunciou a entrada em serviço do mísseis RS-28 Sarmat, conhecido informalmente como Satã-2, com o primeiro regimento ativado, segundo a Roscosmos.
- Não foram divulgados detalhes sobre quantos silos estão equipados; analistas apontam que ficariam na região de Krasnoiarsk, na Sibéria.
- Especialistas questionam a capacidade de colocar grandes números do míssil em operação, citando falha na separação de estágios no segundo teste realizado em fevereiro.
- O Sarmat pode carregar de dez a quatorze ogivas nucleares independentes e até dezoito planadores hipersônicos, com alcance estimado de até dezoito mil quilômetros.
- O arsenal russo permanece sob escrutínio internacional, com comparação ao Mínuteman III dos Estados Unidos e ao histórico de uso estratégico de armas nucleares.
O governo russo anunciou, nesta sexta-feira, a entrada em serviço do RS-28 Sarmat, o míssil balístico intercontinental com ogivas nucleares considerado o mais poderoso do mundo. A ativação ocorreu com o primeiro regimento, segundo a Roscosmos, sem detalhar a quantidade de silos. Analistas apontam localização provável na região de Krasnoiarsk, na Sibéria.
O Sarmat é alvo de ceticismo entre especialistas. Hans Kristensen, da Federação dos Cientistas Americanos, questiona a capacidade de colocar grandes quantidades do míssil em operação, citando falha aparente na segunda verificação de estágio do segundo ensaio, realizado em fevereiro deste ano. A Rússia não comentou o episódio.
Segundo dados divulgados pelo governo russo em 2019, o Sarmat mede 35,5 metros de comprimento e 3 metros de diâmetro, capaz de levar de 10 a 14 ogivas independentes entre 350 e 800 kilotons cada, com até 16 planadores hipersônicos. O alcance declarado é de até 18 mil quilômetros, o que permitiria atingir grande parte do planeta.
O programa do Sarmat faz parte de uma família de armas anunciadas por Putin em 2018, entre as quais constam o mísseis hipersônicos Kinjal e Tsirkon, além do planador Avangard. Ainda estão em desenvolvimento o torpedo do Juízo Final e um míssil de cruzeiro com propulsão nuclear. O Satã-2 substituirá o atual SS-18, o RS-36M, na arquitetura de silos russos.
A operação de sistemas como o Kinjal, Tsirkon e Avangard já é verificada em parte no cenário atual. O Kinjal já é utilizado em operações, o Tsirkon está em uso em fragatas russas, e o Avangard tem ao menos um regimento ativo. Esses armamentos coexistem com outros mísseis de cruzeiro e bombas nucleares de menor potência.
O Sarmat é apresentado como o mais avançado da atualidade em termos de potência de fogo em operação. Em comparação, o menor alcance do Minuteman-3 norte-americano é de cerca de 13 mil quilômetros, com até três ogivas. O tratado Novo Start, ainda vigente em parte, limita ogivas estratégicas entre os dois países, apesar de tensões recentes.
Especialistas ressaltam que a Rússia opera hoje o maior arsenal nuclear do mundo, com o grupo de potências possuindo a maior parcela de ogivas globais. Há cerca de 12.500 ogivas no total, entre arsenal ativo, estoque e desativação, conforme fontes especializadas. As capacidades russas são acompanhadas de lançadores móveis que dificultam a detecção e reforçam a letalidade estratégica.
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