- Terra Invest Suriname & Guyana pretende levar comunidades Mennonitas para Suriname, com foco em projetos agrícolas de soja, milho, sorgo e trigo, e possível ocupação de áreas de floresta virgem na Amazônia.
- A empresa busca até trinta mil hectares para cerca de mil famílias, cada uma cuidando entre trinta e cinquenta hectares; a compra de terras ainda está em estágio hipotético.
- O Ministério das Relações Exteriores de Suriname aprovou um projeto piloto que permite cinquenta famílias Mennonitas irem ao país por até três anos.
- Ambientalistas temem que o plano leve a desmatamento em até noventa mil hectares, com áreas avaliadas em vários distritos; há histórico de desmatamento associado a Mennonitas na Bolívia.
- Os principais operadores são Ruud Souverein e Adrián Barbero; governo e ONGs estão atentos a direitos indígenas, impactos ambientais e ao cumprimento legal, com ONG destacando cautela sobre conversões de florestas intactas.
O plano de levar comunidades Mennonite de agricultores para Suriname acendeu temores de desmatamento. Investidores da Argentina e da Holanda promovem a vinda de membros de Belize, México e Bolívia para iniciar projetos agrícolas no país, que abriga parte da Amazônia.
A empresa envolvida é a Terra Invest Suriname & Guyana. Ela se apresenta como especialista em grandes projetos agrícolas para soja, milho, sorgo e trigo. Desde 2021, a companhia recebeu comunidades Mennonite, visitou áreas para possível compra e iniciou conversas com o governo.
Suriname autorizou, até o momento, um projeto-piloto que permite a entrada de 50 famílias Mennonite para atuar no setor agrícola por até três anos. A Terra Invest afirma que buscam até 30 mil hectares para cerca de 1 mil famílias.
Governo e ONGs em alerta
Ecossistema amazônico de Suriname cobre mais de 90% do território. O exemplo de desmatamento ligado a comunidades Mennonite em Bolívia, como relatório do MAAP, é citado por críticos para fundamentar preocupações. Ambientalistas apontam risco de expansão.
A Terra Invest diz que pretende reduzir impactos ambientais, realizar estudos de impacto e manter o desmatamento em níveis baixos. A empresa afirma trabalhar dentro de marcos legais e planejar apenas metade das áreas para corte.
A atuação local envolve também o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério dos Recursos Naturais, que não responderam a pedido de entrevista. Organizações ambientais pedem cautela e monitoramento rigoroso das licenças e das áreas escolhidas.
Contexto político e econômico
Suriname enfrenta crise fiscal, inflação alta e recentes protestos sobre segurança alimentar. O governo já sinalizou interesse em gerar receita com medidas como créditos de carbono, mantendo a floresta preservada. A viabilidade econômica da parceria é acompanhada com atenção.
Líderes locais relatam que a ampliação de produção agrícola pode atender demanda interna, mas também levantam preocupações sobre direitos indígenas e uso de terras. A implementação do projeto depende de aprovações governamentais adicionais e de avaliações ambientais completas.
Propostas e próximos passos
Barbero, empresário argentino envolvido no projeto, afirmou que as comunidades Mennonite podem encontrar oportunidade econômica e regularizar a situação social. A Terra Invest afirma priorizar conformidade legal, com licenças e consentimentos já em andamento.
Muitos atores locais defendem checagens independentes dos impactos ambientais e sociais. Organizações de proteção ambiental pedem que qualquer expansão ocorra em áreas já degradadas, para evitar danos a florestas intactas.
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