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Cobertura secreta em rede de tráfico de barbatanas: entrevista com Andrea Crosta

Redes de tráfico de barbatanas ligam crimes diversos; falha de cooperação internacional e necessidade de mentoria de longo prazo

Sharks in the coral reefs of Jardines de la Reina, Cuba. Image by Philip Hamilton / Ocean Image Bank.
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  • Andrea Crosta, pesquisadora de crimes contra a vida selvagem, constatou que traficantes de cauda de tubarão atuam em diversas atividades ilegais e cruzam fronteiras na América Latina, especialmente envolvendo cauda de tubarão.
  • Em abril, a Earth League International publicou um relatório sobre tráfico de cauda de tubarão na região, com cinco casos e dez redes transnacionais; os nomes são redigidos, mas as descrições destacam a participação de indivíduos de origem chinesa, entre outros.
  • O estudo enfatiza a “convergência criminosa”: traficantes de vida selvagem costumam estar ligados a narcotráfico, tráfico humano e lavagem de dinheiro, o que pode atrair a atenção de autoridades.
  • A principal dificuldade é a desigualdade entre criminosos bem organizados e enforcement aquém, especialmente pela falta de capacidades de investigação, recrutamento de fontes e cooperação entre países.
  • Crosta alerta para a necessidade de cooperação internacional robusta e programas de mentoria de longo prazo (5 a 10 anos) entre autoridades, ONU, Interpol e outros, para enfrentar a complexidade do crime ambiental e suas redes transnacionais.

Four anos de investigação sobre redes de tráfico de partes de jaguar levou Andrea Crosta a uma conclusão sombria: os mesmos contrabandistas atuam em diversos negócios ilícitos, incluindo o deslocamento de produtos de vida silvestre, como nadadeiras de tubarão, através de fronteiras. Crosta revelou que esse desvio ocorre de forma constante em países da América Latina.

Crosta é fundadora da Earth League International (ELI), ONG que funciona como uma espécie de FBI ambiental, infiltrar-se em redes de tráfico e repassar informações a autoridades sobre chefes e métodos. O trabalho depende de cooperação internacional, muitas vezes difícil entre órgãos nacionais.

A organização publicou, em abril, um relatório com cinco estudos de caso envolvendo 10 redes transnacionais de tráfico de nadadeiras. Os nomes são redigidos, mas o documento descreve figuras associadas a atividades como contrabando de madeira e narcotráfico, com menções a indivíduos em Cartagena, Paramaribo e outras cidades.

Convergência de crimes

Segundo Crosta, o tráfico de nadadeiras está frequentemente ligado a outros crimes, incluindo tráfico de drogas, migração ilícita de pessoas e lavagem de dinheiro. A ocorrência simultânea de esses crimes dificulta a atuação das autoridades, mas também pode abrir portas para novas estratégias de combate.

A pesquisa aponta que o tráfico de nadadeiras é amplamente controlado por nacionais chineses, com operação significativa na América, além de redes em Taiwan, Hong Kong e Vietnã. A complexidade aumenta pela atuação de intermediários locais que dificultam a identificação de culpados.

Capacidades técnicas e inteligência

Crosta destacou a necessidade de capacidades semelhantes às usadas por agências como o FBI para desmantelar redes, principalmente em toda a América Latina. Ela aponta barreiras linguísticas, de recrutamento de informantes e de cooperação entre países como entraves críticos.

Ela também enfatizou que muitos operadores não falam idiomas locais, o que reduz a eficácia de investigações. Além disso, a cooperação entre autoridades exige programas de longo prazo de mentoria e treinamento contínuo, não apenas ações pontuais.

Perfis das equipes

As equipes da ELI são multilíngues e combinam ex-funções de forças de segurança com profissionais de longo prazo com experiência em investigações globais. Os agentes trabalham com fontes locais recrutadas de acordo com critérios rígidos de confiabilidade e gerenciamento de risco.

A organização utiliza uma cadeia de analistas criminais para organizar grandes volumes de informações capturadas no campo, transformando dados crus em produtos de inteligência compatíveis com o padrão das autoridades ocidentais.

Riscos da convergência

O relatório descreve que a convergência de crimes envolve dinheiro, drogas e migração, trazendo riscos adicionais para as investigações. Crosta destacou que essa complexidade pode exigir interações entre várias jurisdições para avançar casos de forma eficaz.

Entre os exemplos citados, houve menção a ofertas de materials de rinoceronte e de marfim que não estavam na América Latina, mas que passaram por redes regionais. Isso ilustra a extensão das rotas de contrabando e da necessidade de colaboração internacional.

Caminhos e desafios

Crosta ressaltou que áreas como a China precisam aumentar a atenção e cooperação com governos locais para frear redes que movem valores de forma sofisticada. Ela sugeriu a criação de equipes especiais e ações conjuntas transnacionais para enfrentar crimes ambientais com maior profundidade.

Ela também apontou que o modelo de cooperação adotado em luta contra o narcotráfico pode servir de referência, desde que haja vontade política e capacidade institucional para apoiar investigações de longo prazo.

Impacto do trabalho e próximos passos

Segundo Crosta, o estudo já tem ganhado tração entre autoridades e formuladores de políticas nos EUA, com briefing programado em Washington, D.C. O objetivo é usar o material para orientar decisões estratégicas, não apenas repressivas, mas também administrativas.

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