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Comfort Ero alerta: ‘Trump é um sintoma, não a causa’ dos conflitos globais

- Comfort Ero destaca a crescente onda de conflitos, como na Ucrânia e Sudão. - Ela alerta sobre o retorno das esferas de influência e a defesa europeia. - Ero analisa a fragilidade da estabilização no Oriente Próximo e suas consequências. - A crise humanitária em Sudão é negligenciada, apesar de seu impacto severo. - A influência de Trump é vista como um fator que molda a nova ordem global.

Comfort Ero, presidenta e conselheira delegada do International Crisis Group, destacou em entrevista que o mundo enfrenta um “retorno das esferas de influência”. Durante a conferência anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Ero enfatizou a necessidade da Europa em “turboalimentar seu paraguas de defesa” diante de conflitos globais, como os da Ucrânia e Oriente […]

Comfort Ero, presidenta e conselheira delegada do International Crisis Group, destacou em entrevista que o mundo enfrenta um “retorno das esferas de influência”. Durante a conferência anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Ero enfatizou a necessidade da Europa em “turboalimentar seu paraguas de defesa” diante de conflitos globais, como os da Ucrânia e Oriente Médio. Ela observou que há uma tendência de enfraquecimento dos sistemas que antes restringiam e sancionavam ações bélicas, com a perda de influência do Ocidente e o surgimento de potências que não compartilham os mesmos valores.

Ero também comentou sobre a reconfiguração do ordenamento global, afirmando que estamos em um momento de mudança de paradigma, onde o antigo sistema baseado em regras está em declínio. A respeito das ambições de Donald Trump, como o controle de Groenlândia e do canal do Panamá, Ero interpretou isso como parte da lógica de “América primeiro”, refletindo uma tentativa de reafirmar a influência dos EUA nas Américas e um ajuste às novas dinâmicas de poder, especialmente em relação à China.

Sobre o conflito na Ucrânia, Ero indicou que o país enfrenta desvantagens em armamento e efetivos, mas ainda pode resistir, embora a um custo elevado. Ela mencionou que Putin está aberto a negociações, mas as garantias de segurança permanecem um ponto crítico. A presidente do International Crisis Group alertou que a Europa deve se preparar, pois os EUA estão focados em outras prioridades, especialmente na Ásia.

No que diz respeito ao Oriente Médio, Ero considerou a situação frágil, mas não necessariamente à beira do colapso. Ela destacou a importância de observar não apenas Gaza, mas também a Cisjordânia, onde a anexação e o controle por colonos ameaçam as aspirações palestinas. Por fim, Ero lamentou a falta de atenção ao conflito em Sudão, que representa um desastre humanitário e exemplifica a disfunção do sistema de gestão de crises atuais.

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