Uma semana após um impasse diplomático sobre a deportação de brasileiros dos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, anunciou que o governo brasileiro está em negociações para estabelecer uma rota direta para a repatriação. Em entrevista ao GLOBO, Vieira afirmou: “Temos interesse em trazer os brasileiros de volta tão pronto possível e […]
Uma semana após um impasse diplomático sobre a deportação de brasileiros dos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, anunciou que o governo brasileiro está em negociações para estabelecer uma rota direta para a repatriação. Em entrevista ao GLOBO, Vieira afirmou: “Temos interesse em trazer os brasileiros de volta tão pronto possível e eles (os EUA) também têm interesse em mandar as pessoas.” O plano inclui o uso de aviões adequados para voos diretos a Belo Horizonte, evitando escalas que causaram problemas em voos anteriores.
O episódio mais recente, que envolveu a deportação de oitenta e oito brasileiros com algemas e correntes, gerou críticas do governo brasileiro e um pedido de explicações ao representante diplomático dos EUA. O Itamaraty ressaltou que o tratamento dos deportados deve ser digno e respeitoso, conforme acordado em um tratado de 2018, que estabeleceu um fluxo mensal de repatriações. O governo Lula busca acelerar o retorno dos deportados, especialmente para aqueles que desejam voltar.
Além disso, um grupo de trabalho foi criado para melhorar a comunicação entre os dois países sobre as deportações. O governo brasileiro também planeja instalar um centro de acolhimento no Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais, para garantir que os deportados recebam condições adequadas ao desembarcar. A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, destacou a importância de evitar a separação de famílias e garantir alimentação e conforto durante o processo.
Por fim, o número de deportações de brasileiros aumentou desde a assinatura do acordo em 2018, com 11.300 brasileiros removidos entre 2018 e 2022, um aumento de 65% em relação aos cinco anos anteriores. Apesar das críticas, o governo brasileiro busca manter um diálogo construtivo com os EUA, evitando confrontos diretos, enquanto trabalha para assegurar os direitos dos cidadãos deportados.
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