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Projeto de direitos territoriais no Suriname provoca indignação indígena

Projeto de lei de direitos coletivos indígenas em Suriname provoca indignação; críticos dizem que pode reduzir o controle sobre as terras e ampliar o poder estatal sobre recursos

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  • Mudanças no projeto de lei de direitos territoriais na Suriname visam reconhecer direitos coletivos de povos indígenas e comunidades tribais, mas críticos dizem que pode reduzir o controle sobre a terra e ampliar o poder do governo para o desenvolvimento.
  • A Associação de Líderes de Aldeia (VIDS) afirma que a lei não valoriza os direitos coletivos nem o reconhecimento conforme padrões internacionais, chamando o texto de insulto ao estado de direito.
  • O IACHR já havia ordenado, em 2007, que comunidades tivessem direitos sobre as terras devido aos riscos de exploração de madeira e mineração, mas. o mapeamento oficial ainda não foi implementado para cerca de 138 mil habitantes.
  • O projeto atual substitui o princípio de Consentimento Livre, Prévio e Informado (FPIC) por outro processo de consulta, retirando poder decisório das comunidades. FPIC pode vir em legislação futura, ainda não aprovada.
  • Se aprovado, o texto permitiria ao governo liberar projetos de exploração em terras indígenas sob a justificativa de interesse público, levantando preocupações quanto à priorização de interesses econômicos sobre direitos das comunidades.

O projeto de lei de direitos coletivos de terras em Suriname divide comunidades indígenas e tribais. A proposta busca reforçar o status legal das comunidades e conceder autonomia sobre recursos naturais, mas críticos veem risco de perder controle sobre a terra, com o governo mantendo poder de desenvolvimento.

A Associação de Líderes de Aldeia (VIDS), que representa 51 aldeias, afirma que a emenda pode fragilizar direitos coletivos e contrapor padrões internacionais. A entidade diz que a lei não corresponde à proteção adequada das comunidades nem ao Estado de direito.

O tema ganhou força após o histórico veredito de 2007 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que reconheceu a necessidade de proteção cultural frente a atividades de logging e mineração. Contudo, o andamento do marco legal permanece lento no Legislativo.

A legislação já enfrentou diversas falhas e prorrogações no Parlamento. A versão mais recente está em debate desde junho de 2021, com preocupações sobre o acesso de empresas à terra caso o texto passe.

Até o momento, não há data pública para votação, e observadores indicam que o tema pode ficar para depois das eleições gerais. A incerteza alimenta protests e pressão por consultas mais amplas com as comunidades.

Conteúdo e impactos previstos

Analistas apontam que, se aprovado, o texto permitiria que o governo autorize projetos de extração e mineração em terras indígenas sob o critério de interesse público, potencialmente reduzindo a autonomia comunitária.

Autorização de projetos sem consentimento direto tem gerado preocupação entre ativistas ambientais, que temem prioridades econômicas sobre os direitos das comunidades. A proposta também prevê registro formal das comunidades como entidades reconhecidas.

Grupos da sociedade civil pedem consultas mais amplas e participação efetiva para revisões. As próprias comunidades já exigem participação no processo de emenda para evitar efeitos desfavoráveis.

Caso o texto avance, organizações vêm acionando medidas legais para frear projetos de mineração, grilagem e agronegócios, com ações que já bloquearam temporariamente alguns empreendimentos. As ações ocorrem tanto no nível nacional quanto internacional.

Perspectivas e próximos passos

Especialistas destacam que há a possibilidade de incluir o FPIC (Consentimento Livre, Prévio e Informado) em legislação separada não aprovada até agora. Ambientalistas questionam a efetividade desse caminho sem um acordo sólido.

O governo, por sua vez, não confirmou data de votação nem detalhou mudanças previstas na consulta às comunidades. Observadores ressaltam que a aprovação pode depender de negociações entre partidos e grupos afetados.

VIDS e outras organizações reiteram a necessidade de consultas amplas e participação das comunidades na revisão da proposta. O objetivo é alinhar o texto aos direitos coletivos reconhecidos internacionalmente, sem comprometer a proteção das próprias comunidades.

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