O Japão anunciou, nesta segunda-feira, 17, a intenção de implantar mísseis balísticos de longo alcance na ilha de Kyushu, visando aumentar sua capacidade de resposta a tensões na Ásia e incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com o pacto de segurança. Com um alcance estimado em 1.000 km, os novos armamentos poderão atingir alvos […]
O Japão anunciou, nesta segunda-feira, 17, a intenção de implantar mísseis balísticos de longo alcance na ilha de Kyushu, visando aumentar sua capacidade de resposta a tensões na Ásia e incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com o pacto de segurança. Com um alcance estimado em 1.000 km, os novos armamentos poderão atingir alvos estratégicos na Coreia do Norte e na China, conforme reportado pela agência de notícias Kyodo. As instalações ocorrerão em bases militares já operacionais, como o Camp Yufuin, em Oita, e o Camp Kengun, em Kumamoto.
Os mísseis são versões atualizadas dos mísseis guiados terra-navio Tipo-12 da Força de Autodefesa Terrestre do Japão (GSDF). Apesar da proximidade com Taiwan, o governo japonês optou por não posicionar esses armamentos nas ilhas de Okinawa, buscando evitar uma escalada nas tensões com Pequim, que reivindica a ilha como parte de seu território. Atualmente, a região conta com sistemas de defesa de menor alcance.
Essa decisão integra a nova estratégia de “capacidades de contra-ataque” do Japão, em um contexto em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questiona a reciprocidade do pacto de defesa firmado em 1951. Trump criticou o acordo, alegando que os EUA arcam com o ônus de proteger o Japão, enquanto Tóquio não possui a mesma responsabilidade em relação a Washington. Além disso, suas declarações sobre a anexação de territórios de aliados aumentaram a preocupação japonesa quanto à confiabilidade da aliança.
A incerteza sobre o apoio americano pode ressuscitar um tabu: a aquisição de armas nucleares pelo Japão, um tema sensível desde os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Embora a Constituição japonesa, imposta por Washington após a II Guerra Mundial, limite ações nesse sentido, a nova postura do país pode aumentar a probabilidade de desenvolvimento de um arsenal nuclear próprio.
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