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Atrasos na lei ambiental do Reino Unido elevam desmatamento, aponta relatório

Delays na Environment Act ampliam desmatamento ligado a importações do Reino Unido, com mais de 39.300 hectares devastados desde 2021

Burning rainforest to make room for palm oil plantations in Indonesia. Photo by Peter Prokosch via Flickr. CC BY-NC-SA 2.0
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  • O Reino Unido atrasou a aplicação das regras de risco florestal previstas no Environment Act, usadas para commodities como carne, soja, óleo de palma, cacau, café e borracha.
  • Desde 2021, as importações do país contribuíram para mais de 39,3 mil hectares de desmatamento mundial até 2024, segundo a Global Witness.
  • Entre nov/2021 e dez/2024, produtos pecuários brasileiros foram responsáveis por quase um terço da pegada de desmatamento do Reino Unido, equivalentes a 12,856 hectares.
  • O óleo de palma foi responsável por mais de 11,6 mil hectares de desmatamento, principalmente em Papua-Nova Guiné e Indonésia.
  • Críticos afirmam que o Act só considera desmatamento ilegal, requer legislação adicional para operacionalizar as regras de due diligence, e que o atraso pode aumentar emissões e impactos sobre comunidades indígenas e espécies.

O Reino Unido adiou a implementação de regras ambientais quevisam reduzir a derrubada de florestas associada a commodities importadas como carne bovina, soja, óleo de palma, cacau, café e borracha. As normas integram a Environment Act, tomada em 2021, mas ainda não entraram plenamente em vigor.

Segundo o relatório da Global Witness, as importações desde 2021 até 2024 contribuíram para mais de 39 mil hectares de desmatamento, com maior impacto no agronegócio. O grupo critica a eficácia das medidas, citando a necessidade de legislação adicional para tornar as regras operacionais.

Desde 2021, as exigências de due diligence e a vedação a commodities ligadas a desmatamento ilegal deveriam ser aplicadas, com relatório anual de progresso. Ainda assim, a atuação fica dependente de legislação complementar para enforcement.

Critérios atuais da lei proíbem a venda no Reino Unido de mercadorias associadas a desmatamento ilegal e exigem que importadores demonstrem cadeia de custódia responsável. Observadores destacam, porém, que o foco apenas no ilegal pode permitir flexibilizações legais.

Entre 2021 e 2024, a Europa consolidou regulações mais amplas sobre desmatamento, com foco em cadeias de suprimentos. A União Europeia, por exemplo, já discute padrões que contemplam desmatamento legal e ilegal, para comparação com o modelo britânico.

Durante a COP28, em 2023, o governo britânico apresentou a lista de commodities sujeitas à Environment Act e estabeleceu critérios para grandes empresas com faturamento anual elevado. No entanto, o Parlamento não aprovou a legislação adicional necessária para operacionalizar as regras.

Desde a posse do governo do Labour em 2024, o andamento das medidas permanece parado. A organização Global Witness afirma que novos atrasos aumentam o risco de destruição florestal, emissões de carbono e impactos sobre povos indígenas e biodiversidade.

O relatório ressalta que uma parte expressiva da desflorestação ligada ao Reino Unido ocorreu mesmo com o estágio inicial de discussões, reforçando a necessidade de avanços legislativos para cumprir compromissos climáticos e ambientais.

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