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Europa reavalia sua segurança nuclear em meio a tensões com a Rússia e incertezas dos EUA

A tensão nuclear na Europa cresce com a guerra na Ucrânia e a política de defesa dos EUA, levando países a reconsiderar tratados e parcerias.

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A guerra na Ucrânia e a possível volta de Donald Trump à presidência dos EUA estão mudando as políticas de defesa na Europa. As ameaças de Trump de não cumprir compromissos com aliados têm gerado um debate sobre armas nucleares. A França se ofereceu para usar seu arsenal nuclear para proteger países europeus, como Alemanha, Polônia, Dinamarca e Lituânia. Ao mesmo tempo, países da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia decidiram sair do Tratado de Ottawa, que proíbe minas antipessoal, para se fortalecerem contra possíveis agressões. As tensões nucleares aumentaram com a invasão russa, que agora considera usar armas nucleares em resposta a ataques convencionais. A Polônia, por exemplo, acredita que teria mais segurança com seu próprio arsenal nuclear, embora isso seja complicado. O presidente francês, Emmanuel Macron, sugeriu discutir como a dissuasão nuclear da França poderia ajudar seus aliados. No entanto, substituir a proteção nuclear dos EUA por uma da França seria difícil e caro. Enquanto isso, os países que estão se retirando do Tratado de Ottawa, como Polônia e Finlândia, justificam a decisão como uma necessidade de se preparar contra a Rússia, enquanto a Noruega critica essa mudança. Organizações de direitos humanos também desaprovam essa retirada.

Europa redefine defesas com Trump e guerra na Ucrânia

A guerra na Ucrânia e o possível retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos estão remodelando as políticas de defesa no norte e leste europeu. As ameaças do ex-presidente americano de ignorar compromissos com aliados transatlânticos reacenderam o debate sobre armas nucleares no continente.

França oferece arsenal nuclear a parceiros

A França se mostrou disposta a colocar seu arsenal nuclear à serviço de parceiros europeus, despertando o interesse de Alemanha, Polônia, Dinamarca e Lituânia. Paralelamente, países da União Europeia (UE) que fazem fronteira com a Rússia anunciaram a retirada do Tratado de Ottawa sobre minas antipessoal, visando fortalecer suas capacidades defensivas contra uma possível agressão.

Tensões nucleares em alta

Mais de três anos de invasão russa na Ucrânia elevaram as tensões nucleares na Europa. A Rússia reformulou sua doutrina para responder a ataques convencionais com armas atômicas, transferiu parte de seu arsenal para Belarus e ameaçou usar armas nucleares táticas na Ucrânia.

Alternativas à dependência dos EUA

A aproximação recente com os EUA, a redução do apoio militar à Ucrânia e o tratamento dispensado pela administração Trump aos aliados da OTAN levaram algumas capitais europeias a considerar alternativas à dependência do poder americano para a defesa. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, declarou que a Polônia estaria mais segura com seu próprio arsenal nuclear, embora reconheça a complexidade e a necessidade de consenso para tal empreitada.

Debate estratégico francês

O presidente francês, Emmanuel Macron, propôs um debate estratégico sobre o uso da dissuasão nuclear francesa para estender sua proteção a aliados europeus. A pesquisadora Astrid Chevreuil, do CSIS, ressalta que a oferta de Macron não é inédita, mas ganhou força diante do cenário atual.

Custos e obstáculos

Substituir o escudo nuclear americano por um francês – ou franco-britânico – seria um processo complexo e custoso. As armas nucleares francesas só podem ser lançadas de aeronaves ou submarinos franceses, e a decisão de uso caberia exclusivamente ao presidente francês. O presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros e Defesa do Senado francês, Cédric Perrin, sugeriu que os aliados interessados em expandir a dissuasão nuclear francesa contribuíssem para os custos de manutenção do arsenal, que ultrapassaram €5,8 bilhões em 2024.

Retirada do Tratado de Ottawa

Enquanto o debate nuclear avança, todos os países da UE que fazem fronteira com a Rússia aceleram seus planos de retirada do Tratado de Ottawa, que proíbe o uso de minas antipessoal. Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia anunciaram a retirada neste ano, seguidas pela Finlândia. A Suécia também foi instada a abandonar o tratado e adquirir minas antipessoal. A Noruega, por outro lado, mantém a proibição e critica a medida adotada por seus aliados. Organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch também criticaram a decisão.

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