O funeral do Papa Francisco no Vaticano atraiu a atenção de muitos, especialmente pela presença de Maurizio Gelli, embaixador da Nicarágua na Espanha e filho de Licio Gelli, um famoso nome ligado a escândalos de corrupção na Itália. Sua presença foi notável porque as relações entre a Nicarágua e a Santa Sé estão tensas desde que o governo de Daniel Ortega expulsou o núncio apostólico em março de 2023. Desde então, a Igreja Católica tem sido alvo de repressão, com o governo proibindo procissões e confiscando bens. Maurizio Gelli, que se tornou cidadão nicaraguense em 2009, estava acompanhado por Monica Robelo, embaixadora da Nicarágua na Itália, que também tem laços com figuras controversas. O nome Gelli está associado a uma rede secreta de poder chamada P2, que teve influência em vários governos, incluindo na América Latina. Embora Maurizio não tenha se envolvido diretamente nas atividades da P2, sua presença no funeral do Papa, em um momento de crise nas relações entre a Nicarágua e o Vaticano, levanta questões sobre o uso do poder e os legados de corrupção.
O funeral do Papa Francisco, realizado no último sábado no Vaticano, reuniu líderes globais e representantes de diversas ideologias. Entre as delegações, destacou-se a presença de Maurizio Gelli, embaixador da Nicarágua na Espanha e filho de Licio Gelli, figura central da loja maçônica secreta Propaganda Due (P2). Sua presença gerou surpresa, especialmente considerando a tensa relação entre a Nicarágua e a Santa Sé, que se agravou após a expulsão do núncio apostólico em março de 2023.
Desde os protestos de 2018, o governo de Daniel Ortega tem intensificado a repressão contra a Igreja Católica, incluindo a proibição de procissões e o fechamento de rádios católicas. A situação se deteriorou a ponto de a Companhia de Jesus ser expulsa do país, levando a Igreja a classificar o regime como uma “ditadura vulgar”. Atualmente, a Nicarágua não possui um embaixador acreditado junto ao Vaticano.
Conexões Históricas
A presença de Maurizio Gelli no funeral é carregada de simbolismo. Antonella Beccaria, jornalista e especialista na P2, destaca que o sobrenome Gelli remete a um legado de corrupção e repressão. Ao lado de Maurizio estava Monica Robelo, embaixadora da Nicarágua na Itália, que também possui laços com figuras controversas do passado. Em 2007, Ortega tentou nomear o pai de Monica como embaixador junto ao Vaticano, mas a proposta foi rejeitada.
Licio Gelli, falecido em 2015, foi um dos principais responsáveis pela P2, que operou como uma rede de poder clandestina na Itália e na América Latina. A P2 foi envolvida em diversos escândalos políticos, e suas ramificações ainda são discutidas. Apesar de Maurizio não ter vínculos diretos com a P2, sua trajetória diplomática é influenciada pelo legado de seu pai.
Implicações Atuais
A presença de Maurizio Gelli no funeral do Papa Francisco, em um momento de luto para a Igreja, levanta questões sobre o uso do poder e os legados que persistem. A relação entre a Nicarágua e a Santa Sé continua tensa, refletindo a complexidade da política internacional e as repercussões de eventos passados.
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