Desde o início de 2025, muitos refugiados ruandeses que fugiram para a República Democrática do Congo após o genocídio de 1994 estão retornando a Ruanda. Recentemente, 360 pessoas foram repatriadas, principalmente mulheres e crianças, em uma operação que se intensificou após a ocupação das cidades de Goma e Bukavu pelo grupo rebelde M23, que recebe apoio de Ruanda. A ONU planeja repatriar cerca de 2.000 pessoas nos próximos meses. A maioria dos refugiados vinha de Karhenga, mas se deslocou para Goma devido aos conflitos. Muitos deles, como Gisèle Tuyisenge Nsabimana, que perdeu seus pais durante o genocídio, esperam se reintegrar em suas comunidades. Mais de 100.000 refugiados já voltaram, e um acordo entre Ruanda e a RDC, mediado pela ONU, facilita esse retorno. O M23, que é majoritariamente tutsi, teme que os campos de deslocados se tornem focos de resistência e tem promovido a saída de pessoas que considera ligadas a grupos armados. A situação na região continua tensa, com negociações em andamento para um acordo de paz que envolvem interesses estratégicos em recursos minerais.
Centenas de refugiados ruandeses estão retornando a Ruanda desde o início de 2025, em um processo facilitado por um acordo entre as autoridades da República Democrática do Congo (RDC) e Ruanda, com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Recentemente, 360 pessoas foram repatriadas, a maioria mulheres e crianças, após a intensificação da operação devido à ocupação das cidades de Goma e Bukavu pelo grupo rebelde M23, que conta com apoio de Ruanda.
O prefeito de Rubavu, Prosper Mulindwa, destacou a importância do retorno, afirmando que os repatriados são uma “mão de obra valiosa para o desenvolvimento do país”. Os refugiados estão sendo acolhidos em um centro provisório até que possam se reintegrar em suas comunidades. A ONU planeja repatriar cerca de 2 mil pessoas nos próximos meses, após já ter facilitado o retorno de aproximadamente 1,5 mil refugiados desde o início do ano.
A maioria dos repatriados vinha de Karhenga, onde residiam há anos. Muitos deles fugiram para os arredores de Goma devido aos conflitos entre o M23 e o Exército da RDC. Gisèle Tuyisenge Nsabimana, uma das repatriadas, relembrou sua fuga durante o genocídio de 1994, quando perdeu seus pais. Ela expressou esperança de se estabelecer em Ruhengeri, onde tem parentes.
Contexto do Conflito
Após o genocídio em Ruanda, que resultou na morte de cerca de um milhão de pessoas, muitos ruandeses buscaram refúgio na RDC. Embora muitos tenham retornado após dois anos, milhares permaneceram, incluindo paramilitares hutus e ex-soldados. As autoridades ruandesas acusam esses grupos de tentativas de desestabilização, associando-os ao grupo armado FDLR (Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda).
Recentemente, a ocupação de áreas do nordeste da RDC pelo M23 permitiu que muitos civis, que estavam presos em meio ao conflito, retornassem a Ruanda. O M23, que tem apoio de Ruanda, teme que os campos de deslocados se tornem focos de resistência. Em ações recentes, o grupo expulsou 181 ruandeses considerados “em situação ilegal”, segundo seu porta-voz.
As negociações de paz entre Ruanda e a RDC estão em andamento, com processos em Qatar e Washington, mediadas pelos Estados Unidos. O presidente do Parlamento da RDC, Vital Kamerhe, afirmou que os acordos serão analisados antes da assinatura, garantindo que não haverá concessões à integridade territorial da RDC nem ao saque de seus recursos minerais.
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