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Amnistia Internacional denuncia uso de fome como arma em genocídio em Gaza

Amnesty International denuncia táticas de fome em Gaza, enquanto mais de 500 palestinos morrem em centros de distribuição de ajuda.

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  • A Amnesty International denunciou o sistema de distribuição de ajuda em Gaza, apoiado por Israel e Estados Unidos, por supostas táticas de fome e genocídio.
  • O relatório critica a Gaza Humanitarian Foundation (GHF), que assumiu a distribuição de ajuda da ONU, e afirma que mais de 500 palestinos foram mortos em centros de distribuição.
  • A GHF começou suas operações em 26 de maio, após um bloqueio de quase três meses, e é acusada de transformar a busca por ajuda em uma armadilha mortal.
  • O ministro das Relações Exteriores de Israel rejeitou as alegações, afirmando que a organização se aliou ao Hamas, enquanto o exército israelense defende que disparou tiros de advertência.
  • Mais de 170 organizações não governamentais, incluindo Oxfam e Save the Children, pediram o fechamento da GHF, alegando que o novo sistema viola princípios humanitários.

CAIRO — A Amnesty International denunciou um sistema de distribuição de ajuda em Gaza, apoiado por Israel e Estados Unidos, por supostamente utilizar táticas de fome e genocídio contra os palestinos. O relatório, divulgado na quinta-feira, critica a Gaza Humanitarian Foundation (GHF), que assumiu a distribuição de ajuda anteriormente gerida pela ONU. Desde o início do conflito, mais de 500 palestinos foram mortos em centros de distribuição.

A GHF, que começou suas operações em 26 de maio após um bloqueio de quase três meses, é acusada de transformar a busca por ajuda em uma armadilha mortal. A Amnesty afirma que as condições em Gaza criaram uma “mistura letal de fome e doenças”, levando a população à beira do colapso. A secretária-geral da organização, Agnès Callamard, afirmou que a perda diária de vidas é resultado do “alvo deliberado” das forças israelenses.

Acusações e Respostas

O ministro das Relações Exteriores de Israel rejeitou as alegações da Amnesty, afirmando que a organização se aliou ao Hamas. O exército israelense defende que disparou tiros de advertência para controlar multidões e que atirou apenas em indivíduos considerados suspeitos. Desde maio, Israel afirma ter facilitado a entrada de mais de 3.000 caminhões de ajuda em Gaza, enquanto a GHF alega ter distribuído o equivalente a 56 milhões de refeições.

Entretanto, organizações humanitárias afirmam que essa quantidade é insuficiente para atender à demanda crescente. O Programa Mundial de Alimentos relatou que o consumo de alimentos atingiu níveis críticos, com a diversidade alimentar em seu pior estado desde o início do conflito. A GHF, por sua vez, rejeitou as críticas e convidou outras organizações a se unirem a seus esforços.

Violência e Impunidade

Relatos de violência em torno dos centros de distribuição incluem disparos contra palestinos desarmados. Um ex-contratante de segurança afirmou que colegas dispararam em grupos de civis, resultando em feridos e mortes. A GHF negou essas alegações, classificando-as como “categoricamente falsas”.

Mais de 170 ONGs, incluindo Oxfam e Save the Children, pediram o fechamento da GHF, alegando que o novo sistema permite o uso de alimentos como arma e viola princípios humanitários. A situação em Gaza continua crítica, com mais de 57 mil mortes registradas desde o início do conflito em outubro de 2023.

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