- Em fevereiro, um avião privado chegou a Buenos Aires com bagagens que não passaram pela aduana.
- O voo ocorreu após o presidente da Argentina, Javier Milei, se reunir com Donald Trump na CPAC.
- O Ministério Público Fiscal confirmou a entrada irregular do equipamento, com conivência da aduana.
- O jet Bombardier Global 5000, de Leonardo Scatturice, chegou ao Aeroparque Jorge Newbery em 26 de fevereiro.
- Apenas cinco das dez bagagens foram declaradas, e imagens mostram a gerente da OCP TECH entregando um telefone a um agente da aduana.
Em fevereiro, um avião privado chegou a Buenos Aires, trazendo bagagens que, segundo denúncias, não passaram pela aduana. O voo, que ocorreu dias após o presidente argentino Javier Milei se encontrar com Donald Trump na CPAC, foi investigado pelo Ministério Público Fiscal.
A investigação confirmou que o equipamento do voo foi introduzido irregularmente no país, com a conivência de funcionários da aduana. O jet Bombardier Global 5000, de propriedade de Leonardo Scatturice, empresário próximo ao governo, chegou ao Aeroparque Jorge Newbery em 26 de fevereiro. A bordo estavam apenas dois tripulantes e Laura Belén Arrieta, gerente da OCP TECH, empresa de Scatturice.
A denúncia inicial sobre a entrada irregular das bagagens foi feita pelo jornalista Carlos Pagni. O governo, por sua vez, negou as acusações, afirmando que todos os procedimentos legais foram seguidos. Contudo, o relatório da Procuradoria de Investigação Administrativa (PIA) contradiz essa afirmação, indicando que os passageiros foram liberados sem passar pelos controles de segurança.
Irregularidades Detectadas
O relatório da PIA revelou que, apesar da disponibilidade de tecnologia para inspeção, os tripulantes e a passageira não foram submetidos a verificações. O documento também aponta que apenas cinco das dez bagagens foram declaradas. Além disso, imagens de segurança mostram Arrieta entregando um telefone a um agente da aduana, que respondeu com um gesto afirmativo.
O avião permaneceu no hangar do aeroporto até 5 de março, mas não há registros de controle contínuo por parte da Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC). O voo, que deveria ter vindo de Fort Lauderdale, na verdade, partiu de Opa-Locka, outra localidade de Miami. Ao deixar o país, o destino informado foi Fort Lauderdale, mas o avião seguiu para Paris.
A OCP TECH negou qualquer irregularidade, afirmando que todos os procedimentos foram cumpridos. As suspeitas de contrabando envolvem tanto o governo de Milei quanto a CPAC, já que o presidente argentino participou de um evento da conferência conservadora poucos dias antes do incidente. Scatturice, que adquiriu recentemente a companhia aérea Flybondi, tem laços com a inteligência argentina e sua empresa foi contratada para assessorar a relação entre os governos da Argentina e dos Estados Unidos.
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