- Desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, a Faixa de Gaza enfrenta uma grave crise humanitária, com mais de 57.000 palestinos mortos e 134.000 feridos.
- Nazmi Abu Lehia enterra seu pai, Mohammad, em um cemitério improvisado em Al Mawasi, devido à impossibilidade de acessar o local familiar, que está em zona de combate.
- O pai de Nazmi foi atingido por disparos do exército israelense próximo a um ponto de distribuição de ajuda humanitária.
- A falta de locais adequados para sepultamentos levou à criação de cemitérios emergenciais, como o de Al Mawasi, onde cerca de 425.000 pessoas vivem atualmente.
- A ONU estima que 90% da população de Gaza já foi deslocada pelo menos uma vez desde o início do conflito, dificultando o luto e a conexão com os locais de descanso eterno.
Desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, a Faixa de Gaza enfrenta uma crise humanitária devastadora, com mais de 57.000 palestinos mortos e 134.000 feridos. Nazmi Abu Lehia, de 15 anos, enterra seu pai, Mohammad, em um cemitério improvisado em Al Mawasi, devido à impossibilidade de acessar o local familiar, agora em zona de combate. “Agora, até nossos mortos estão deslocados”, lamenta o jovem.
O pai de Nazmi foi atingido por disparos do exército israelense próximo a um ponto de distribuição de ajuda humanitária. A situação se agrava com a falta de locais adequados para sepultamentos, levando a família a buscar um espaço em um dos novos cemitérios públicos criados para atender à demanda crescente. A guerra não apenas ceifou vidas, mas também desmantelou tradições de sepultamento, forçando famílias a enterrar seus entes queridos em locais desconhecidos.
Cemitérios emergenciais, como o de Al Mawasi, surgiram após a doação de terrenos por moradores, como Imran al-Astal, que se mobilizou ao ver pessoas sem onde enterrar seus mortos. Atualmente, cerca de 425.000 pessoas vivem em Al Mawasi, um aumento significativo devido à ordem de deslocamento emitida por Israel. A ONU estima que 90% da população de Gaza já foi deslocada pelo menos uma vez desde o início do conflito.
A dor da perda é intensificada pela incerteza sobre os locais de sepultamento. “Meu filho agora está entre estranhos”, diz Mohammad al-Faqaawi, que não pôde enterrar seu filho em seu cemitério familiar devido ao risco. A psicóloga Said al-Kahlout destaca que a escolha do local de sepultamento é crucial para o processo de luto, mas muitos agora enfrentam a realidade de enterrar seus mortos em terrenos sem identificação.
A situação em Gaza continua a se deteriorar, com a maioria das áreas consideradas inabitáveis. As famílias enfrentam o trauma de perder não apenas seus entes queridos, mas também a conexão com seus lugares de descanso eterno.
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