- A suspensão temporária do Programa de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Combate ao HIV/AIDS (PEPFAR) pode levar a milhões de mortes e novas infecções até 2029, segundo a UNAIDS.
- O programa, criado em 2003, tinha um orçamento planejado de 4,3 bilhões de dólares para 2025, mas o financiamento foi interrompido em janeiro de 2025.
- Sem alternativas de financiamento, estima-se que quatro milhões de pessoas poderão morrer de doenças relacionadas à AIDS e seis milhões poderão contrair HIV entre 2025 e 2029.
- A maior parte do impacto será em países africanos, onde 73% da assistência externa para HIV provém dos Estados Unidos.
- A UNAIDS alerta que a falta de recursos pode resultar em 6,6 milhões de novas infecções até 2029, com cortes significativos em programas de prevenção e tratamento.
Suspensão do PEPFAR Pode Causar Milhões de Mortes por HIV
A suspensão temporária do PEPFAR, programa dos EUA para combate ao HIV, e os cortes financeiros associados podem resultar em milhões de mortes e novas infecções até 2029, segundo um relatório da UNAIDS. O programa, criado em 2003, tinha um orçamento planejado de 4,3 bilhões de dólares para 2025, mas o financiamento foi interrompido em janeiro deste ano.
Se não houver uma alternativa para substituir esse financiamento, estima-se que quatro milhões de pessoas poderão morrer de doenças relacionadas à AIDS e seis milhões poderão contrair HIV entre 2025 e 2029. O relatório destaca que a instabilidade na cooperação multilateral é exacerbada por cortes dos EUA e de outros países do Norte Global, além de desafios como guerras e crises climáticas.
Impactos Diretos na África
A UNAIDS alerta que a maior parte do impacto será sentida em países africanos, onde 73% da assistência externa para HIV provém dos Estados Unidos. A diretora-executiva da UNAIDS, Winnie Byanyima, enfatizou que a falta de recursos pode resultar em 6,6 milhões de novas infecções até 2029. Em 2023, 630 mil mortes por AIDS ocorreram, com 61% delas na África subsaariana.
O PEPFAR tem sido crucial para fornecer serviços de prevenção e tratamento, salvando aproximadamente 26 milhões de vidas nas últimas duas décadas. No entanto, a interrupção do programa já está causando danos a populações vulneráveis, com cortes em 60% dos programas liderados por mulheres e 45% dos parceiros comunitários enfrentando redução de recursos.
Desafios e Futuro da Luta Contra o HIV
O relatório da UNAIDS também destaca a situação crítica em países como Nigéria e Quênia, onde houve quedas significativas no número de pessoas recebendo tratamento preventivo e testes de diagnóstico. A necessidade de analisar e apoiar esses países é urgente, especialmente em um contexto de alta dívida e desafios climáticos.
O diretor-executivo do Global Fund, Peter Sands, lamentou as desigualdades persistentes na luta contra o HIV, com 45% das novas infecções em 2024 ocorrendo entre mulheres e meninas. A situação é alarmante, com 4 mil adolescentes infectadas semanalmente, a maioria na África subsaariana. A UNAIDS teme que os cortes de doadores possam reverter anos de progresso na luta contra a pandemia do HIV.
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