- Proposta de revisão do regulamento da UE contra desmatamento (EUDR) pode atrasar a implementação e dificultar a fiscalização de cadeias de suprimento.
- O objetivo é impedir importações ligadas a desmatamento, com produtores devendo provar que não houve desmatamento após 31 de dezembro de 2020.
- A ideia de criar uma quarta categoria, “risco insignificante”, permitiria que países com desmatamento mínimo evitem algumas checagens, como a indicação de coordenadas de áreas.
- Críticos alertam que isso pode enfraquecer o sistema de classificação por risco, atrasar a norma e abrir brechas para trade com menor controle; a lista preliminar mostra quarenta e quatro países com risco baixo ou padrão.
- A Comissão ainda não decidiu sobre a ideia; solicitou contribuições de partes interessadas para simplificar leis ambientais antes de considerar mudanças. A norma entra em vigor em 30 de dezembro de 2025.
O Parlamento Europeu discute uma proposta de simplificação da regulamentação anticorrupção florestal da UE, a EUDR, em meio a críticas de especialistas e organizações ambientais. A ideia é reduzir a complexidade de um sistema de classificação de risco para países, visando facilitar o comércio. Criticantes alertam que isso pode atrasar a implementação e enfraquecer a supervisão das cadeias de abastecimento.
A EUDR restringe importações associadas a perda de floresta e exige que produtores demonstrem que soja, cacau, café, madeira, carne e outros produtos não vêm de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. O regime entrou em vigor tecnicamente em 2023, com períodos de transição para adaptação das fronteiras comerciais.
A preferência por uma nova categorização de risco, incluindo um patamar de “risco insignificante”, gerou resistência entre ONGs e partes interessadas. A Coalizão Together4Forests, com mais de 220 grupos, afirma que a moderação pode comprometer a credibilidade da UE e dificultar a conformidade de empresas e países terceiros.
A proposta em discussão foi apresentada pela bancada centro-direita do Parlamento e já recebeu apoio entre alguns eurodeputados. Em contrapartida, representantes de organizações ambientais apontam que muitos países não enfrentam desmatamento significativo, mas ainda assim enfrentam degradação de florestas e precisam manter o escrutínio.
Um rascunho de lista de 194 países, divulgado em maio, aponta 50 países como risco padrão e 140 como baixo risco. Belarus, Coreia do Norte, Mianmar e Rússia aparecem como exceções de alto risco, diante de sanções da UE. A ideia de incluir uma quarta categoria não passou até o momento e exigiria nova redação legal.
Se a quarta categoria for adotada, produtores de países com desmatamento mínimo poderiam escapar de algumas exigências, como o registro de coordenadas geográficas das áreas de cultivo. Críticos avaliam que isso abriria brechas para facilitar o comércio de commodities com menor escrutínio.
A Comissão Europeia ainda não sinalizou se dará andamento à proposta de reclassificação. Em resposta, a autoridade solicitou contribuições de parte interessada sobre como tornar a legislação ambiental mais rápida e simples de aplicar, sem reduzir padrões.
Especialistas lembram que atrasos anteriores da EUDR já resultaram em perdas de áreas florestais. Dados de observatórios globais indicam prejuízos contínuos em larga escala, impulsionados pela expansão agrícola. O tema permanece em debate entre interesse econômico e proteção ambiental.
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