- O grupo M23 tomou Goma e continua no controle de áreas-chave no leste da RDC, incluindo o Parque Nacional de Kahuzi-Biega.
- Imagens de satélite mostram queda acentuada da cobertura florestal no parque entre janeiro e julho de 2025, com desmatamento em hotspots.
- A expansão da produção de carvão ilegal, a falência da fiscalização e conflitos territoriais são apontados como principais causas do aumento do desmatamento.
- Ativistas ambientais relatam ameaças de morte, fuga de Bukavu e takeover de armas pelos eco-guardiões, o que dificulta a proteção do parque.
- Em 19 de julho de 2025, M23 e o governo da RDC assinaram um cessar-fogo em Qatar, com expectativas de melhoria na segurança e na conservação.
O backstory do conflito na região de Kivu mostra que, seis meses após a tomada de Goma pelo grupo M23, zonas protegidas próximas da cidade apresentaram queda acelerada de cobertura florestal. Pesquisadores associam esse desmatamento à expansão de production de carvão ilegal, falhas na fiscalização de conservação e disputas de terras.
Observações de satélite indicam que a área de Kahuzi-Biega National Park, berço de gorilas-azuis de montanha, registrou quedas relevantes entre janeiro e julho de 2025. Regiões antes cobertas por floresta nativa passaram a apresentar solo exposto, com novos focos de desmatamento no território de Kabare e perto da aldeia Muhonga.
Ameaças ao parque são atribuídas à atuação do M23 e a milícias amistadas, que controlam a entrada de áreas chave e zonas de mineração. Autoridades locais relatam queda na fiscalização ambiental desde a ocupação do parque, dificultando a atuação de guardas ecológicos.
Estudos de campo destacam a construção de carvão e madeira para abastecer mercados urbanos, especialmente Bukavu, bem como redes de venda que cruzam as fronteiras do parque. Pesquisadores ressaltam que a região funciona como área de acesso aberto, com pouca repressão institucional.
Entre os impactos sociais, centenas de milhares de habitantes de North e South Kivu foram deslocados pelas ações do conflito desde fevereiro de 2025. Em julho de 2025, a ONU estimou 1,5 milhão de deslocados no sul do Kivu, muitos dependentes do carvão para cozinhar.
Defensores ambientais relatam riscos crescentes para quem denuncia abusos. Ativistas descrevem perseguições, ameaças de morte e ataques a representantes de organizações de proteção ambiental, com relatos de silenciamento por meio de assédio e intimidação.
Especialistas destacam que, desde a tomada de Bokavu pelo M23, a violência e a impunidade dificultam a responsabilização de atores envolvidos na exploração florestal. Observadores sugerem que a restauração de segurança pode abrir espaço para o cumprimento de acordos de paz.
Em paralelo, a comunidade internacional busca avanços diplomáticos: em julho de 2025, um cessar-fogo entre M23 e o governo congolês foi assinado no Catar, seguido por um acordo de paz entre DRC e Ruanda no mês anterior. Conservacionistas veem nisso oportunidade para frear a destruição florestal e avançar na proteção de áreas críticas.
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