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Fações sírias realizam ataques sistemáticos contra civis em região costeira

Relatório da ONU revela abusos graves contra civis na Síria, enquanto o governo nega ordens superiores para a violência sistemática

Trabalhadores da Crescente Vermelha carregam um homem ferido para fora da base aérea russa em Hmeimim, perto de Latakia, na região costeira da Síria, em 11 de março de 2025, enquanto evacuam membros feridos da seita alauíta que buscaram refúgio lá após recentes violências e assassinatos de vingança. (Foto: AP Photo/Omar Albam, File)
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  • A Síria enfrenta uma grave crise humanitária, com um relatório da Comissão de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) revelando violência sistemática contra civis por facções ligadas ao governo.
  • O documento investiga abusos ocorridos durante confrontos entre grupos armados e forças de segurança do novo governo, após a queda do presidente Bashar Assad.
  • Apesar da violência ser generalizada, não há evidências de que tenha sido ordenada pelo governo central.
  • O relatório menciona casos de sequestro e abuso sexual de mulheres alauítas, incluindo relatos de casamentos forçados e extorsão de famílias.
  • A situação se agrava com novos confrontos em outras regiões, como a província de Sweida, onde centenas de pessoas foram mortas em conflitos entre forças do governo e tribos locais.

A Síria continua a enfrentar uma grave crise humanitária, com um recente relatório da Comissão de Inquérito da ONU revelando violência sistemática contra civis por facções ligadas ao governo. O documento, divulgado na quinta-feira, investiga abusos que ocorreram durante confrontos entre grupos armados e forças de segurança do novo governo, após a queda do presidente Bashar Assad.

O relatório destaca que, embora a violência tenha sido generalizada e sistemática, não há evidências de que tenha sido ordenada pelo governo central. As investigações apontam para a participação de facções como a 62ª e a 76ª divisões do novo exército sírio, além da 400ª divisão, que inclui ex-integrantes de grupos rebeldes. Esses grupos são acusados de execuções extrajudiciais, tortura e maus-tratos à população civil, especialmente em áreas de maioria alauíta.

Em resposta ao relatório da ONU, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shibani, afirmou que o governo está ciente das alegações de violações e que as recomendações apresentadas servirão como um mapa para o progresso contínuo do país. O governo também conduziu sua própria investigação, que confirmou mais de 1.400 mortes, a maioria civis, mas também não encontrou evidências de ordens superiores para os ataques.

Violência e Abusos

O relatório detalha como a violência se intensificou em março, com ataques de grupos pró-Assad contra as forças de segurança do novo governo. Durante os confrontos, houve saques, ocupações de propriedades e ataques a jornalistas. A situação se agravou com a invasão de áreas alauítas, onde homens e meninos alauítas foram sequestrados e executados.

Além disso, a comissão investiga casos de sequestro e abuso sexual de mulheres alauítas, com relatos de pelo menos seis casos confirmados. Em algumas situações, as vítimas foram sequestradas para casamentos forçados ou tiveram suas famílias extorquidas por resgates. O relatório menciona um caso alarmante de uma mulher que foi sequestrada e vendida para um casamento forçado após ser violentada.

Tensão e Instabilidade

A violência no litoral sírio ocorre em um contexto de crescente instabilidade, com novos confrontos surgindo em outras regiões, como a província de Sweida, onde centenas de pessoas foram mortas em confrontos entre forças do governo e tribos locais. A situação tem gerado desconfiança entre as comunidades minoritárias em relação ao governo liderado por muçulmanos sunitas.

Representantes de diversas comunidades étnicas e religiosas da Síria se reuniram recentemente para discutir a formação de um estado descentralizado e a elaboração de uma nova constituição que garanta a pluralidade religiosa e cultural no país.

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