- Milhares de homens se reuniram em Cabul para celebrar o quarto aniversário do retorno do Talibã ao poder, enquanto mulheres foram barradas do evento.
- A comemoração incluiu a dispersão de flores de helicópteros, mas três dos seis locais designados estavam interditados para o público feminino.
- Desde agosto de 2021, o Talibã impôs restrições severas à educação e ao trabalho de mulheres e meninas.
- Grupos de direitos humanos e a Organização das Nações Unidas (ONU) condenaram a opressão das mulheres no Afeganistão, com protestos ocorrendo em Takhar e Islamabad.
- A Corte Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra líderes do Talibã por crimes contra a humanidade relacionados à perseguição de mulheres e meninas.
Milhares de homens se reuniram em Cabul na última sexta-feira para celebrar o quarto aniversário do retorno do Talibã ao poder, enquanto as mulheres foram excluídas do evento. A comemoração incluiu a dispersão de flores de helicópteros, mas três dos seis locais designados já estavam interditados para o público feminino, que enfrenta restrições severas desde novembro de 2022.
Desde a tomada do poder em 15 de agosto de 2021, o Talibã impôs uma interpretação rigorosa da lei islâmica, resultando em proibições que afetam a educação e o trabalho de mulheres e meninas. O evento, que também contou com discursos de membros do governo, foi exclusivamente masculino, e uma apresentação esportiva que deveria incluir atletas afegãos não ocorreu.
Grupos de direitos humanos e a ONU condenaram a opressão contínua das mulheres no Afeganistão. A Movimento das Mulheres Afegãs pela Liberdade organizou um protesto em Takhar, afirmando que o dia marca o início de uma era de dominação que exclui as mulheres da vida pública. Em Islamabad, mulheres afegãs também se manifestaram, exibindo cartazes que denunciavam o regime talibã.
O líder do Talibã, Hibatullah Akhundzada, emitiu uma declaração afirmando que os afegãos que não valorizam o regime islâmico enfrentarão punições divinas. Ele ressaltou que a implementação da sharia trouxe bênçãos ao povo afegão, que deve expressar gratidão por essas conquistas.
Recentemente, a Corte Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra Akhundzada e o chefe da justiça, Abdul Hakim Haqqani, por crimes contra a humanidade relacionados à perseguição de mulheres e meninas. As celebrações deste ano foram mais discretas em comparação ao ano anterior, quando o Talibã realizou um desfile militar em uma base aérea dos EUA, provocando críticas internacionais.
O Afeganistão também enfrenta uma grave crise humanitária, exacerbada pela mudança climática e pela expulsão de milhões de afegãos do Irã e do Paquistão, além de uma queda acentuada no financiamento internacional.
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