- Os incidentes de pirataria e roubo armado no estreito de Malaca e Cingapura aumentaram em 2023, com 80 ocorrências nos primeiros seis meses, quase quatro vezes mais que as 21 do ano anterior.
- O Canal Phillip, onde os navios reduzem a velocidade, foi o local com mais registros.
- A maioria dos roubos foi oportunista e não confrontacional, com a tripulação geralmente ilesa.
- Analistas atribuem o aumento ao crescimento do tráfego marítimo e à crise econômica, que leva grupos a buscar renda na pirataria.
- A Organização Marítima Internacional recomendou que os navios adotem práticas de segurança e relatem incidentes às autoridades.
Os incidentes de pirataria e roubo armado nas águas do estreito de Malaca e Cingapura aumentaram drasticamente em 2023. Nos primeiros seis meses do ano, foram registrados 80 casos, quase quatro vezes mais do que os 21 ocorridos no mesmo período do ano anterior, conforme relatório do ReCAAP.
O estreito de Malaca é uma via crucial para o comércio global, conectando o Oceano Índico ao Pacífico. A maioria dos incidentes ocorreu no Canal Phillip, onde os navios são obrigados a reduzir a velocidade para navegar em áreas estreitas. Segundo Vijay Chafekar, diretor executivo do ReCAAP, a maioria dos roubos foi de natureza oportunista e não confrontacional, com a tripulação geralmente ilesa.
Dados do National Bureau of Asian Research indicam que cerca de 90 mil embarcações mercantes transitam pelo estreito anualmente, representando 60% do comércio marítimo global. Embora nenhum dos incidentes tenha sido classificado como Categoria 1, que envolve armas de fogo ou sequestros, houve sete confrontos com facas ou armas de réplica, resultando em uma leve lesão em um membro da tripulação.
Causas do Aumento
Analistas apontam que o aumento da pirataria pode estar ligado ao crescimento do tráfego marítimo, com embarcações desviando de rotas no Mar Vermelho, onde ataques de rebeldes houthis têm se intensificado. Daniel Ng, da Asian Shipowners’ Association, observa que os criminosos frequentemente operam a partir de ilhas remotas da Indonésia, utilizando pequenas embarcações para se aproximar dos navios durante a noite.
Os piratas têm se tornado mais habilidosos em explorar “brechas” na segurança das embarcações, utilizando dados do Sistema de Identificação Automática (AIS). A crise econômica, marcada por desemprego e pobreza, tem levado esses grupos a buscar formas de complementar sua renda por meio da pirataria.
A Organização Marítima Internacional (IMO) expressou preocupação com o aumento dos incidentes e recomendou que todos os navios adotem práticas de gestão adequadas e relatem prontamente qualquer ocorrência às autoridades competentes.
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