- Na última semana, ocorreram ataques em escolas de Minneapolis, Minnesota, que chocaram a comunidade local.
- O ataque mais grave foi na Escola Católica Annunciation, onde duas crianças morreram e 17 pessoas ficaram feridas.
- O autor, Robin Westman, de 23 anos, ex-aluno da escola, cometeu suicídio no local.
- O FBI classificou o caso como terrorismo doméstico e crime de ódio contra católicos, após Westman postar vídeos e um manifesto online com mensagens de ódio.
- Os Estados Unidos lideram o mundo em ataques escolares, com um aumento de sessenta por cento nos incidentes de atiradores ativos desde 2019.
A última semana registrou uma série de ataques em escolas de Minneapolis, no estado de Minnesota, que chocaram a comunidade local e reacenderam o debate sobre segurança escolar e saúde mental. O episódio mais grave ocorreu na Escola Católica Annunciation, onde duas crianças foram mortas e outras 17 pessoas ficaram feridas. O responsável, Robin Westman, de 23 anos, ex-aluno da escola, cometeu suicídio no local. Autoridades apontam que Westman havia postado vídeos e um manifesto online com mensagens de ódio, e o FBI classificou o caso como um ato de terrorismo doméstico e crime de ódio contra católicos.
O incidente faz parte de um contexto mais amplo: os Estados Unidos lideram o mundo em ataques escolares. Em 2023, o FBI registrou 48 incidentes de atiradores ativos em escolas, um aumento de 60% desde 2019. Em outros países, episódios como esses são muito mais raros: a Finlândia registrou três tiroteios em escolas desde 1970, e a Alemanha teve casos isolados, como o incidente de Winnenden, em 2009. A frequência e letalidade dos ataques nos EUA são, portanto, excepcionalmente altas.
Especialistas apontam que o fácil acesso a armas contribui para essa realidade. A posse de armas nos EUA é garantida pela Segunda Emenda da Constituição, e estima-se que haja aproximadamente 393 milhões de armas de fogo em posse de civis norte-americanos, o que equivale a cerca de 120 armas para cada 100 habitantes. Além disso, a cultura armamentista é histórica e profundamente enraizada, e leis estaduais muitas vezes são permissivas. Em contraste, países como Austrália, Japão e Reino Unido possuem legislações restritivas, que reduziram significativamente o risco de ataques em escolas.
Outro fator relevante é o bullying, identificado como um dos principais fatores de risco em ataques escolares. Muitos agressores relataram ter sido vítimas de bullying, e estudos publicados na revista Pediatrics mostram que adolescentes nessa situação têm maior probabilidade de portar armas, especialmente quando enfrentam fatores adicionais de risco, como envolvimento em brigas, ameaças ou evasão escolar.
Embora seja comum associar automaticamente os responsáveis a “psicopatas”, especialistas alertam que essa condição, formalmente conhecida como Transtorno de Personalidade Antissocial, vai muito além da imagem popular de violência e crueldade. A psicopatia é caracterizada por traços de personalidade como frieza emocional, falta de empatia, manipulação, egocentrismo, impulsividade e irresponsabilidade, que não se manifestam necessariamente em comportamentos violentos.
Alguns indivíduos conseguem se adaptar à sociedade de forma estratégica, sendo chamados de “psicopatas funcionais”, que podem tomar decisões difíceis sem se abalar emocionalmente e manter relações sociais complexas. Em contextos pessoais, traços psicopáticos podem se manifestar por meio de manipulação ou exploração emocional, sem envolver crimes violentos.
No extremo, a psicopatia pode se associar a comportamentos criminosos. Estudos em contextos penitenciários indicam que indivíduos com altos traços psicopáticos têm maior propensão a delitos graves. É nesse cenário que surgem casos que atraem atenção da mídia. No entanto, especialistas enfatizam que nem todo criminoso é psicopata, e nem todo psicopata se torna criminoso. A tragédia de Minneapolis reforça a necessidade de compreender esses padrões com rigor e evitar estigmatizar indivíduos com traços psicopáticos.
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