- Refugiados malienses em Vitoria enfrentam dificuldades, dormindo em colchões improvisados em frente à comissaria da Polícia Nacional.
- O número de solicitações de asilo na Espanha atingiu um recorde de 167.366 pedidos em 2024, devido à guerra em Malí.
- Apenas seis pessoas conseguem citações diárias para iniciar o processo de asilo, enquanto outras aguardam por dias.
- O governo central já transferiu 400 pessoas para centros de acolhida em outras comunidades, mas a chegada de novos refugiados mantém o acampamento ativo.
- Um novo centro de acolhida deve ser aberto em Vitoria até 2026, com capacidade para 350 pessoas, em resposta à demanda crescente.
Refugiados malienses enfrentam dificuldades em Vitoria devido à saturação do sistema de asilo
Em Vitoria, um grupo de refugiados malienses enfrenta uma situação crítica, dormindo em colchões improvisados em frente à comissaria da Polícia Nacional. A guerra em Malí, que se intensificou desde 2012, levou a um aumento significativo nas solicitações de asilo na Espanha, que atingiu um recorde de 167.366 pedidos em 2024.
Diariamente, um agente da polícia informa quantas pessoas poderão entrar na comissaria para iniciar o processo de asilo. Em alguns dias, apenas seis pessoas conseguem a tão esperada citação, enquanto outras são forçadas a esperar até o dia seguinte. “Em internet é impossível conseguir citações,” relatam os malienses, que buscam abrigo em Vitoria, onde as oportunidades de agendamento são consideradas mais rápidas em comparação a outras regiões da Espanha.
A situação é agravada por práticas irregulares, como a venda de citações por preços que podem chegar a 150 euros. Muitos refugiados, como Mamadu, de 24 anos, enfrentam noites frias e chuvosas, mas permanecem determinados a conseguir uma citação. Estima-se que cerca de 60 malienses estejam em busca de abrigo em diferentes pontos da cidade.
A luta por abrigo e dignidade
Soleil, um refugiado de 34 anos, compartilha sua trajetória desde o norte de Malí até a Espanha, passando por Mauritânia. Ele conseguiu uma citação e agora vive em um centro de acolhida em Logroño. “Se não tiver papéis, é muito difícil trabalhar,” afirma. Desde julho, o governo central já transferiu 400 pessoas para centros de acolhida em outras comunidades, mas a chegada de novos refugiados mantém o acampamento em Vitoria ativo.
A delegada do governo em Euskadi, Marisol Garmendia, reconhece a necessidade de aumentar a agilidade nas citações. “O que temos que fazer é dar citações com mais celeridade,” afirma. O governo vasco, que possui centros de acolhida em Oñati e Tolosa, enfrenta dificuldades para desocupar os espaços, apesar de haver vagas disponíveis em outras comunidades.
Iniciativas de apoio e solidariedade
Enquanto isso, a vida continua nas ruas de Vitoria. Sangare Souleymane, presidente da Associação de Marfileños de Álava, atua como intermediário entre os malienses e as instituições. Educadores sociais e voluntários têm se mobilizado para oferecer apoio, como turnos para banho e refeições. “Pedimos que os expedientes se tramitem o mais rápido possível,” diz Gaoussoui, um refugiado que ainda aguarda transferência para um centro.
O governo central planeja abrir um novo centro de acolhida em Vitoria até 2026, com capacidade para 350 pessoas, em resposta à crescente demanda. A situação dos malienses em Vitoria reflete um problema mais amplo de migração e acolhimento, que exige soluções urgentes e eficazes.
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