- O Sudão enfrenta uma grave crise humanitária devido à guerra civil que dura mais de dois anos.
- El Fasher, a última cidade com um hospital em funcionamento, está sob cerco e sofre com bombardeios frequentes e escassez de alimentos.
- O hospital Al Saudi, único em operação, foi bombardeado mais de trinta vezes e recebe diariamente de trinta a quarenta crianças gravemente desnutridas.
- Mais de quinhentas mil pessoas fugiram de El Fasher desde o aumento dos ataques das Forças de Apoio Rápido (RSF).
- A cólera se espalha entre os moradores, que enfrentam mortes por desnutrição, enquanto a ajuda humanitária é impedida de entrar na cidade.
O Sudão enfrenta uma grave crise humanitária em meio à guerra civil que se arrasta há mais de dois anos. El Fasher, a última cidade com um hospital em funcionamento, está sob cerco, com bombardeios frequentes e escassez extrema de alimentos. A situação se agrava com a chegada diária de 30 a 40 crianças gravemente desnutridas, que buscam ajuda, mas encontram apenas ração animal.
O hospital Al Saudi, único ainda em operação na cidade, foi bombardeado mais de 30 vezes. Médicos relatam que a população está sendo submetida a escolhas desesperadoras: ficar e arriscar a vida ou fugir e enfrentar a morte. O Dr. Omar Selik, que trabalha no hospital, descreve a situação como “muito dolorosa”, afirmando que até eles estão se alimentando de ração animal.
Desde que as Forças de Apoio Rápido (RSF) intensificaram os ataques em Darfur, mais de 500 mil pessoas fugiram de El Fasher. O cerco, que inclui um muro de terra de 32 km, impede a entrada de ajuda humanitária. Um quilo de macarrão custa US$ 73, dez vezes o preço normal, e a cólera se espalha entre os moradores, que já enfrentam mortes por desnutrição.
Os ataques a comboios de alimentos das Nações Unidas têm sido frequentes, dificultando ainda mais a chegada de suprimentos. Grupos humanitários relatam que jovens que tentam escapar da cidade são executados. A ONU investiga as atrocidades cometidas pelas RSF, que foram acusadas de genocídio, enquanto o exército sudanês também enfrenta acusações de crimes de guerra.
A situação em El Fasher é um reflexo da deterioração da segurança e da saúde pública no Sudão, onde cerca de 12 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas. A comunidade internacional observa com preocupação, mas a ajuda ainda não chegou a quem mais precisa.
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