- Navios da frota fantasma russa continuam a abastecer o Brasil com combustíveis, apesar das sanções internacionais após a invasão da Ucrânia.
- Uma investigação da BBC News Brasil revelou que esses navios chegaram a portos como Paranaguá e Santos desde 2022.
- Foram identificadas 36 embarcações, que transportaram 17% do combustível importado pelo Brasil nesse período.
- A Rússia se tornou o principal fornecedor de diesel do Brasil, representando cerca de 60% das importações, atraindo o país com preços mais baixos.
- O governo brasileiro não adotou medidas para restringir a chegada desses navios, e especialistas alertam para os riscos econômicos e ambientais associados a essa situação.
Navios da chamada “frota fantasma” russa continuam a abastecer o Brasil com combustíveis, mesmo após a imposição de sanções internacionais em resposta à invasão da Ucrânia. Uma investigação da BBC News Brasil revelou que, desde 2022, esses navios têm chegado a portos brasileiros, como Paranaguá e Santos, sem que o governo brasileiro tenha adotado medidas para restringir suas operações.
A pesquisa identificou 36 embarcações da frota fantasma operando na costa brasileira, que transportaram 17% de todo o combustível importado do país durante o período. Esses navios, sancionados por Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia, utilizam manobras para ocultar suas identidades e rotas, dificultando a rastreabilidade. Especialistas alertam que essa situação pode trazer riscos econômicos, diplomáticos e ambientais ao Brasil.
O governo brasileiro, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, não aderiu às sanções e não orientou os portos a restringirem a chegada dessas embarcações. A Antaq e a Marinha afirmaram não ter recebido instruções para impedir a atracação de navios sancionados. A Polícia Federal também não recebeu orientações sobre o tratamento diferenciado para essas embarcações.
A Rússia se tornou o principal fornecedor de diesel importado pelo Brasil, representando cerca de 60% das importações. O aumento das compras de combustíveis russos ocorreu em meio a um contexto de sanções internacionais, que elevaram os preços no mercado global. A estratégia russa de oferecer combustíveis a preços mais baixos atraiu o Brasil, que busca garantir o suprimento energético.
Especialistas alertam que empresas brasileiras que realizam negócios com a frota fantasma podem se tornar alvos de sanções internacionais, como ocorreu com a Índia. A operação desses navios, que frequentemente navegam com o AIS desligado, aumenta os riscos de acidentes e dificulta a responsabilização em caso de incidentes ambientais.
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