- O supertufão Ragasa, a tempestade mais poderosa de 2025, atingiu o Sudeste Asiático causando dezenas de mortes, centenas de feridos e deslocando quase 2 milhões de pessoas na província chinesa de Guangdong.
- Ventos de até 265 km/h devastaram áreas, inundaram cidades, cancelaram voos e paralisaram escolas e empresas.
- A tempestade segue em direção ao Vietnã e ao Laos, ameaçando com chuvas fortes e inundações.
- Ragasa perdeu intensidade após tocar o solo chinês, mas ainda representa uma ameaça significativa com enchentes persistentes e risco de doenças.
- A reconstrução pode levar anos.
O supertufão Ragasa, a tempestade mais poderosa de 2025, atingiu o Sudeste Asiático com força devastadora. Desde o início desta semana, a tempestade causou dezenas de mortes, centenas de feridos e deslocou quase 2 milhões de pessoas na província chinesa de Guangdong. Ventos de até 265 km/h devastaram áreas, inundaram cidades, cancelaram voos e paralisaram escolas e empresas. Agora, a tempestade segue em direção ao Vietnã e ao Laos, continuando a ameaçar com chuvas fortes e inundações.
Ragasa perdeu intensidade após tocar o solo chinês, mas ainda representa uma ameaça significativa. Especialistas alertam que os efeitos prolongados da tempestade podem ser devastadores, com enchentes persistindo por dias e a propagação de doenças acelerando em áreas alagadas. A reconstrução pode levar anos.
O que é um supertufão?
Tufões, furacões e ciclones tropicais são sistemas de baixa pressão que se formam sobre oceanos quentes, transformando a energia térmica da água em ventos extremamente fortes e chuvas intensas. A classificação de um tufão como “super” varia conforme a agência meteorológica. Nos Estados Unidos, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) define supertufão quando os ventos sustentados chegam a 241 km/h. Já a Agência Meteorológica do Japão considera a partir de 194 km/h, e o Observatório de Hong Kong, de 185 km/h. No caso do Ragasa, os ventos sustentados ultrapassaram 215 km/h, com rajadas próximas de 300 km/h, atendendo à maioria dos critérios.
Formação
Um supertufão funciona como uma gigantesca máquina de calor e vento. O oceano atua como um imenso reservatório de energia: quanto mais quente a água, mais combustível ela fornece para a atmosfera. Esse calor faz o ar acima da superfície subir rapidamente, criando uma área de baixa pressão que atrai o ar ao redor em direção ao centro. Esse movimento contínuo transforma a energia térmica do oceano em ventos extremamente fortes.
No centro do sistema está o olho do tufão, uma área curiosamente calma, cercada pela chamada parede do olho, onde os ventos atingem velocidades devastadoras. É como se toda a força da tempestade estivesse concentrada em um anel giratório, comparável a uma roda gigante formada por nuvens e vento.
O ar quente que sobe constantemente gera chuvas intensas e prolongadas, enquanto a força dos ventos empurra a água do mar em direção à costa, formando ondas enormes que invadem cidades e vilarejos. Ventos, chuvas e mar agitado se combinam para criar uma tempestade capaz de transformar paisagens em questão de horas.
Outro fator de risco é a chamada maré de tempestade: a elevação anormal do nível do mar provocada pela pressão atmosférica baixa e pelos ventos fortes. Em áreas costeiras densamente povoadas, como as do sul da China, essa elevação pode engolir bairros inteiros em poucas horas.
Com a intensificação do aquecimento global, cientistas discutem se há tendência de aumento na frequência ou na potência desses eventos. Estudos mostram que a proporção de ciclones tropicais das categorias mais altas praticamente dobrou nas últimas décadas e que a duração das tempestades também vem crescendo. Ainda assim, não há consenso se as mudanças climáticas aumentam a quantidade de ciclones, mas é provável que favoreçam episódios mais intensos em mares cada vez mais aquecidos.
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