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Guerra brutal no Sudão: o que aconteceu em El Fasher

Força de Apoio Rápido (RSF) captura El Fasher após dezoito meses de cerco; exército recua para local seguro, com acusações de execuções e limpeza étnica

Satellite image of the children's hospital in El Fasher. Much of what is known about the atrocities has come from satellite image analysis.
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  • RSF capturou El Fasher após dezoito meses de cerco, e o exército sudanês se retirou para um local seguro, conforme confirmação do general Abdel Fattah al‑Burhan, reconhecendo a perda estratégica.
  • A RSF passa a controlar os principais centros urbanos de Darfur e afirma ter libertado a cidade do domínio de mercenários e milícias.
  • Desde a ocupação, surgem relatos de assassinatos de civis desarmados, práticas de limpeza étnica contra Fur, Zaghawa e Berti e operações de varredura casa a casa com execuções sumárias.
  • O Laboratório de Pesquisa Humanitária da Universidade de Yale compara a situação ao início do genocídio em Ruanda, com imagens de satélite mostrando aglomerados de corpos e fome em campos de deslocados.
  • A comunicação em El Fasher está severamente interrompida, a imprensa internacional está ausente e informações sobre as atrocidades chegam por vídeos geolocalizados e testemunhos de sobreviventes que escaparam para Tawila.

Os combates no Sudão entre as Forças de Apoio Rápido (RSF) e o exército nacional intensificaram-se nas últimas semanas, culminando na captura da cidade de El Fasher após um cerco de 18 meses. A RSF, que controla agora todos os principais centros urbanos de Darfur, anunciou ter libertado a cidade do domínio de “mercenários e milícias”. A retirada do exército sudanês, conforme confirmou o general Abdel Fattah al-Burhan, foi feita para um “local seguro”, reconhecendo a perda estratégica.

Desde a ocupação, a RSF tem sido acusada de assassinatos de civis desarmados e de práticas de limpeza étnica contra comunidades como Fur, Zaghawa e Berti. Relatos indicam que as forças paramilitares estão realizando operações de varredura casa a casa, resultando em execuções sumárias. A situação é comparável ao início do genocídio em Ruanda, segundo o Laboratório de Pesquisa Humanitária da Universidade de Yale.

Condições Humanitárias

A comunicação em El Fasher foi severamente comprometida, dificultando a verificação de informações. A imprensa internacional está ausente, e a maioria das informações sobre as atrocidades vem de vídeos geolocalizados e testemunhos de sobreviventes que conseguiram escapar para a cidade vizinha de Tawila. Imagens mostram homens desarmados sendo mortos, cercados por combatentes da RSF.

O relatório da Yale também destaca operações sistemáticas de deslocamento forçado e execuções, evidenciadas por imagens de satélite que revelam aglomerados de corpos. O cenário humanitário é alarmante, com a declaração de fome em campos de deslocados, onde a RSF já causou a morte de milhares de pessoas.

Contexto do Conflito

O conflito atual teve início em abril de 2023, após uma luta pelo poder entre a RSF e o exército. O grupo paramilitar, formado em 2013 a partir do legado da milícia Janjaweed, já foi responsabilizado por genocídio e outras atrocidades em Darfur. O interesse internacional pelo Sudão aumentou, mas as críticas à participação de países como os Emirados Árabes Unidos, acusados de apoiar a RSF, persistem. O futuro do Sudão permanece incerto, com a possibilidade de divisão em meio ao caos.

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