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Darfur volta a arder; ONU denuncia crimes de milícias após conquista El Fasher

Forças de Apoio Rápido tomam El Fasher, Darfur; execuções sumárias e violência sexual. Dagalo admite abusos e abre investigação, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH)

Darfur volta a arder; ONU denuncia crimes de milícias após conquista El Fasher
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  • As RSF tomaram El Fasher, Darfur, lideradas pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti; a ONU denunciou execuções sumárias, violência sexual e massacres, incluindo a morte de 460 civis em um hospital local.
  • Desde a conquista, a situação humanitária piorou; Li Fung, representante da Agência da ONU para Direitos Humanos, disse que ninguém está a salvo na cidade.
  • As violações de direitos humanos são generalizadas e, segundo Li Fung, muitas são motivadas por questões étnicas, com foco na comunidade zaghawa.
  • O conflito, que ganhou força com apoio externo de Emirados Árabes Unidos, Rússia e Líbia, envolve disputa pelo controle de minas de ouro; o exército sudanês mantém áreas estratégicas, como Port Sudan, enquanto as RSF consolidam domínio em Darfur.
  • No aspecto humanitário, estima-se que doze milhões estão deslocados e trinta milhões necessitam de ajuda; sequestr os e detenções arbitrárias agravam o clima de terror.

O conflito em Darfur, que teve início entre 2003 e 2005, ganhou novos contornos com a recente tomada da cidade de El Fasher pelas Forças de Apoio Rápido (RSF). Este grupo, que se destacou por sua brutalidade, é liderado pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti. A ONU denunciou execuções sumárias, violência sexual e massacres, incluindo a morte de 460 civis em um hospital local.

Desde a conquista de El Fasher, a situação humanitária se deteriorou rapidamente. A representante da Oficina do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Li Fung, afirmou que “a realidade é que ninguém está a salvo” na cidade. As violações de direitos humanos são generalizadas e, segundo Fung, muitas são motivadas por questões étnicas, especialmente contra a comunidade zaghawa, que é de origem não árabe.

Contexto do Conflito

As RSF emergiram como uma força militar significativa durante o genocídio de Darfur, que começou em 2003. Armadas pelo governo do então presidente Omar al-Bashir, as milícias árabes conhecidas como Janjawid se tornaram o braço armado do regime, perpetrando violência contra a população negra da região. Após a queda de al-Bashir em 2019, Dagalo e o general Abdelfatah Al Burhan, líder do exército sudanês, dividiram o poder, mas a rivalidade entre eles se intensificou, levando ao atual conflito.

Atualmente, o conflito é alimentado por interesses externos, com apoio militar e financeiro vindo de países como Emirados Árabes Unidos, Rússia e Líbia. A disputa pelo controle das ricas minas de ouro de Darfur é um dos principais motores desse embate. A queda de El Fasher permitiu que as RSF consolidassem seu domínio sobre a região, enquanto o exército sudanês mantém controle sobre áreas estratégicas, como Port Sudão.

Consequências Humanitárias

As consequências do conflito são devastadoras. Estima-se que 12 milhões de pessoas estejam deslocadas e 30 milhões necessitem de ajuda humanitária urgente. As atrocidades cometidas pelas RSF, incluindo sequestros e detenções arbitrárias, geram um clima de terror e desespero entre a população civil. Apesar das promessas de Dagalo de investigar os abusos, a realidade no terreno sugere que a violência e a impunidade continuam a prevalecer.

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